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Diante da ameaça iminente do aumento do nível do mar por conta do aquecimento global, a pequena nação insular de Nauru, no Oceano Pacífico, anunciou um plano para financiar a realocação de sua população: a venda de cidadania para estrangeiros. O governo do país pretende arrecadar milhões de dólares por meio de um programa de “passaporte dourado”, oferecendo nacionalidade por US$ 105 mil (aproximadamente R$ 607,1 mil).
Segundo as autoridades, o passaporte fornecerá entrada sem visto em 89 países, incluindo Reino Unido, Irlanda, Emirados Árabes Unidos e Hong Kong.
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O presidente David Adeang justificou a medida como um passo essencial para garantir um futuro sustentável e próspero para as gerações futuras. “Isso é mais do que sobrevivência. Trata-se de garantir que as gerações futuras tenham um lar seguro, resiliente e sustentável. Estamos prontos para a jornada que temos pela frente”, disse à Agencia France-Presse (AFP).
Com apenas 21 km² de território e severamente impactada pela extração de fosfato – que deixou 80% da ilha inabitável –, Nauru enfrenta o avanço das marés com um nível de elevação 1,5 vez superior à média global.
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Edward Clark, que dirige o novo Programa de Cidadania para Resiliência Econômica e Climática de Nauru, afirmou que os esforços existentes de financiamento climático “não são suficientes” para enfrentar esse desafio. “O financiamento da dívida representa um fardo indevido para as gerações futuras e não há ajuda suficiente”, salientou.
Com a implementação do “passaporte dourado”, a expectativa é arrecadar US$ 5,7 milhões (R$ 32,9 milhões) no primeiro ano, o que equivale a cerca de 66 inscrições, e aumentar esse valor gradualmente para US$ 43 milhões (R$ 248,7 milhões) ou cerca de 500 solicitações bem-sucedidas.
As autoridades de Nauru acreditam que 90% da população eventualmente precisará se mudar para terras mais altas. A primeira fase dessa realocação deverá custar mais de US$ 60 milhões (R$ 346,8 milhões).
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Estratégia tem riscos
Nauru não é o único país do Pacífico a adotar a venda de passaportes como estratégia econômica. Isso também já foi feito por Vanuatu, Dominica, Samoa e Tonga.
Henrietta McNeill, pesquisadora em assuntos do Pacífico na Universidade Nacional Australiana observou à AFP que, embora esses esquemas ajudassem a aumentar a receita do governo, eles também eram propensos à exploração. Segundo ela, criminosos podem usar esses documentos para fugir da polícia, lavar dinheiro ou explorar regras de entrada sem visto.
Uma experiência semelhante anterior, nos anos 2000, do próprio Nauru, resultou na concessão de passaportes a membros da Al-Qaeda, que mais tarde foram presos na Ásia.
Clark disse que desta vez só serão oferecidos passaportes a quem passar por “procedimentos de due diligence mais rigorosos e completos”. “Este programa não visa apenas adquirir outro passaporte. Trata-se de ingressar em uma comunidade dedicada a soluções pioneiras para desafios globais”, ele completou.
Fonte: Um Só Planeta