Pequeno cemitério no Vaticano pode esclarecer misterioso desaparecimento de garota há 36 anos

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É aceitável que, dentro do menor país do mundo, o cemitério Teutônico seja um lugar que passa despercebido.

Localizado na área original onde estava o circo do Imperador Nero, ele se esconde atrás de muros altos, à sombra da Basílica de São Pedro.

Este cemitério pode agora ser a chave para resolver um mistério de 36 anos que chocou a Itália: o desaparecimento de uma menina de 15 anos chamada Emanuela Orlandi.

Nesta quinta-feira (11), a polícia vai entrar no local para exumar duas sepulturas em busca da garota desaparecida.

A família Orlandi poderá entrar no cemitério do Vaticano quando os dois túmulos forem abertos  — Foto: Andreas Solaro/AFP
A família Orlandi poderá entrar no cemitério do Vaticano quando os dois túmulos forem abertos (Fotos: Reprodução)

Normalmente usado para enterrar membros de instituições católicas de língua alemã, o local não pode ser acessado por turistas.

Na melhor das hipóteses, você pode se aproximar de uma porta protegida por um guarda suíço. Dali distinguiria, no máximo, a entrada do cemitério à distância.

O que aconteceu com Emanuela?

No dia 22 de junho de 1983, Emanuela voltava para casa depois de uma aula de flauta. Ela foi vista pela última vez em um ponto de ônibus no centro de Roma. A garota de 15 anos simplesmente desapareceu desde então.

Durante décadas surgiram diversas especulações. Ela foi sequestrada e assassinada? Se sim, onde está seu corpo?

A família de Emanuela teve que investigar diversos rumores e pistas.

“Muitas pessoas me disseram: esqueça, aproveite a sua vida e não pense mais nisso”, disse seu irmão mais velho, Pietro, à BBC. “Mas eu não posso. Eu não posso ficar em paz até que isso seja resolvido.”

A atenção sempre foi focada no fato de que Emanuela era filha de um funcionário do Estado da Cidade do Vaticano. Isso poderia ter algo a ver com seu desaparecimento?

Por que o interesse mudou para o cemitério?

Em março de 2019, a família Orlandi recebeu uma carta anônima. Nela havia a foto de um anjo em um túmulo no cemitério Teutônico do Vaticano.

Aquilo era uma pista de onde Emanuela poderia estar enterrada?

A família sabia que precisava fazer o Vaticano saber disso. Mas não teve sorte em tentativas anteriores.

“Para eles, o caso estava encerrado”, diz Pietro. “Com o Papa Francisco, o muro ficou mais alto. Eu o conheci poucos dias depois de ele ser eleito (em 2013) e ele me disse: ‘Emanuela está no céu'”.

“Eu pensei: ‘Bem, o Papa Francisco sabe de alguma coisa’. Então eu preenchi todos os tipos de pedidos para encontrá-lo novamente, para obter uma explicação. Mas ele nunca mais quis me ver novamente.”

Portanto, não havia caminho direto até o papa.

A família teve que fazer uma petição geral ao Vaticano para abrir o túmulo no cemitério Teutônico, e um tribunal estatal da Cidade do Vaticano aceitou a petição.

O que o Vaticano fará?

“Pela primeira vez, o Vaticano mostra que está considerando a possibilidade de que pode haver responsabilidades internas dentro do Vaticano (pelo desaparecimento de Emanuela)”, insiste Pietro.

Mas a assessoria de imprensa do Vaticano diz apenas que a polícia investigará a possibilidade de que Emanuela tenha sido enterrada no cemitério.

O país não investigará o desaparecimento. Isso corresponde às autoridades italianas fora da jurisdição do Vaticano.

Quando a polícia exumar as duas tumbas, a família Orlandi poderá participar, se desejar, bem como os parentes das pessoas enterradas nesses túmulos. Então testes de DNA serão realizados nos restos mortais, um processo que pode levar semanas.

Pietro tem que se preparar para o que pode ser encontrado durante a exumação.

“Seria perturbador para minha mãe (se os restos mortais de Emanuela fossem encontrados). Ela ainda vive no Vaticano, a apenas 200 ou 300 metros de distância deste cemitério. Pensar que ela poderia estar tão perto da minha irmã por tanto tempo sem saber me faz sentir terrivelmente mal”.

“Na verdade, eu espero que Emanuela não esteja lá.”

A última lembrança de um irmão

Pietro se recusa a descartar a possibilidade remota de que sua irmã esteja viva, de certa maneira. E se lembra da última vez que a viu.

“Éramos muito próximos. A gente amava música. Ela estava tentando me ensinar uma peça de Chopin. A gente só tinha visto duas páginas quando ela desapareceu. Espero que um dia ela volte para me ensinar o resto.”

Há um pensamento que não sai da cabeça dele.

“A última vez que a vi não é exatamente uma bela lembrança”, explica ele.

“Tivemos uma briga porque ela tinha uma aula de música. Estava muito quente, eu me recusei a ir com ela porque eu tinha outras coisas para fazer. Ela bateu a porta e saiu, e essa é a última vez que nos vimos.”

“Eu sempre penso: o que teria acontecido se eu tivesse ido com ela?”

Fonte: BBC

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