Parlamento espanhol aprova decreto para exumar restos do ditador Franco

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A câmara baixa do Parlamento espanhol aprovou nesta quinta-feira um decreto do governo para exumar os restos mortais do ditador Francisco Franco do mausoléu onde ele se encontra, perto de Madri.

O decreto foi aprovado por 172 votos a favor, 164 abstenções e dois contra.

O objetivo do governo socialista é remover os restos daqui até o final do ano do Vale dos Caídos.

Esta é uma decisão que provoca divergências políticas no país, que tem dificuldades para lidar com questões do passado.

Para concretizar a medida, que tem a oposição da família do ditador e da oposição conservadora, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez optou por apresentar um decreto-lei.

A exumação dos restos mortais que estão no “ Valle de los Caídos”, um imponente conjunto monumental a 50 km de Madri, provavelmente acontecerá no fim do ano, segundo a vice-primeira-ministra Carmen Calvo, no final de agosto.

Após a exumação, a solução lógica será enviar os restos mortais para o túmulo que a família Franco tem no cemitério El Pardo, na região de Madri.

Os descendentes do “generalíssimo” são contrários à medida, mas Carmen Calvo explicou que o governo está preparado para todas as eventualidades. Se a família não indicar um novo local ou continuar contrária à medida, o Executivo “decidirá para qual local digno e respeitoso serão levados os restos mortais de Franco”.

Um mausoléu de proporções imponentes

Desde 23 de novembro de 1975, três dias depois de sua morte, o corpo do general Franco, vencedor da Guerra Civil (1936-1939), está no ‘Valle de los Caídos”.

O local, um impressionante complexo a 50 km de Madri, tem uma basílica com uma cruz de 150 metros de altura.

O militar que governou o país de 1939 a 1975 está enterrado no altar da basílica sob uma laje sempre coberta por flores frescas, assim como o fundador do partido fascista Falange, José Antonio Primo de Rivera.

No mesmo complexo foram sepultados quase 27.000 combatentes franquistas e 10.000 opositores republicanos, motivo pelo qual o ditador apresentou o “Valle” como um local de “reconciliação”.

Os críticos, no entanto, o consideram um insulto às vítimas da repressão franquista, porque os corpos dos republicanos, retirados de cemitérios e valas comuns, foram levados até o local sem o consentimento de suas famílias. Além disso, o conjunto monumental foi construído por quase 20.000 presos políticos, entre 1940 e 1959.

Pedro Sánchez defendeu a iniciativa poucos dias depois de chegar ao poder, alegando que um lugar como “Valle de los Caídos” seria inimaginável em países como Alemanha ou Itália.

Os socialistas afirmam que desejam transformar o “Valle de los Caídos” em um verdadeiro local de reconciliação e memória, sem apresentar detalhes sobre como pretendem modificar um conjunto monumental de forte caráter católico e idealizado pelo próprio Franco.

O governo insiste que a exumação foi objeto de uma proposta aprovada no Parlamento em maio de 2017 sem votos contrários, quando o Executivo era comandado pelo conservador Partido Popular, agora na oposição.

Mas em um país onde a memória sobre a guerra e a ditadura continua sendo um tema delicado, todos os projetos esbarram na oposição da família do ditador, da Fundação Francisco Franco, que reivindica sua memória, e sobretudo com a do PP, que insiste na necessidade de não reabrir “antigas feridas”.

Os conservadores devem recorrer ao Tribunal Constitucional contra a exumação, pois consideram abusivo o uso de um decreto-lei para um tema que não é urgente.

“Os socialistas estão mais interessados em abrir as trincheiras fechadas e as cicatrizes já cicatrizadas de nosso pior passado, ao invés de concentrar-se em nosso melhor presente”, afirmou Pablo Casado, líder do PP no mês passado.

 

Fonte: Yahoo!

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