Maduro bloqueará a ajuda humanitária enviada por EUA

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assegurou nesta sexta-feira (8) que não vai permitir o “show” da ajuda humanitária, ao se referir ao carregamento que chegou na fronteira com a Colômbia a pedido do opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cerca de 40 países.

“A Venezuela não vai permitir o show da ajuda humanitária falsa, porque não somo mendigos de ninguém”, declarou Maduro em coletiva de imprensa.

Segundo Maduro, a “emergência humanitária é fabricada por Washington”, que tem a intenção de “intervir” na Venezuela. “Se as tropas americanas estão na Colômbia, que fiquem lá”, advertiu, garantindo que nunca entrarão no país.

Uma dezena de veículos carregados com medicamentos e alimentos chegou na quinta-feira na cidade de Cúcuta, na fronteira colombiana, onde foi instalado um centro de estocagem próximo à ponte internacional de Tienditas, bloqueada pelos militares venezuelanos com dois caminhões e uma cisterna.

O país produtor de petróleo, mergulhado na pior crise de sua história moderna, sofre com uma severa escassez de produtos básicos e uma hiperinflação que o FMI estima em 10.000.000% em 2019. Cerca de 2,3 milhões de venezuelanos emigraram desde 2015, segundo a ONU.

Maduro alega que não há crise humanitária e culpa do alto custo das sanções impostas pelos Estados Unidos, que congelou contas e ativos para o governo, e embargou a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.

“Liberem o dinheiro que nos bloquearam e sequestraram. É um jogo macabro: os apertamos pelo pescoço e os fazemos pedir migalhas”, disse.

A subsecretária de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Kimberly Breier, disse a jornalistas que os Estados Unidos descartam o uso da força para fazer chegar a ajuda humanitária à Venezuela, declarou na sexta uma alta funcionária do Departamento de Estado.

“Estamos arrumando maneiras de entrar e depende do lado venezuelano. Não vamos entrar à força: isso é um movimento civil, de ajuda humanitária”, ressaltou, destacando o apoio de associações civis e da Igreja.

Entretanto, o líder opositor Juan Guaidó não descartou, em uma entrevista com a AFP, autorizar uma intervenção militar dos Estados Unidos ou uma força estrangeira na Venezuela, se for necessário, para Nicolás Maduro deixe o poder.

“Nós faremos tudo o que for possível. Isso é um tema obviamente muito polêmico, mas fazendo uso de nossa soberania, o exercício de nossas competências, faremos o necessário”, respondeu Guaidó à pergunta se faria uso das faculdades como chefe do Parlamento e presidente encarregado para autorizar eventualmente uma intervenção militar.

O dilema dos militares

Guiadó convocou duas mobilizações, uma em 12 de fevereiro e outra a ser definida, para pressionar os militares a não bloquearem a ajuda. “Eles estão em um dilema: ou eles ficam do lado das pessoas necessitadas ou da ditadura”, reiterou.

O líder da oposição, de 35 anos, anunciou que nos próximos dias mais carregamentos com ajuda chegarão e que outros centros de coleta serão instalados no Brasil e em uma ilha caribenha a ser definida.

“Do povo dos Estados Unidos da América”, “Coalizão Ajuda e Liberdade Venezuela”, lê-se em cartazes em frente ao galpão onde estão estocados alimentos e medicamentos em Cúcuta.

Em frente ao galpão, o deputado Lester Toledo, representante de Guaidó em Cúcuta, assegurou que essas são as primeiras “gotas”, mas prometeu um “tsunami de ajuda humanitária”. “Vai abrir um corredor humanitário e as portas para a liberdade”, disse a repórteres.

A atitude dos militares neste caso permitirá a Guaidó medir a unidade de comando das Forças Armadas, principal suporte de Maduro, segundo analistas.

Em meio ao conflito, Francesco Rocca, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha, pediu em Caracas para “não politizar” o papel da organização na Venezuela.

Além dos militares, Maduro “depende cada vez mais” do apoio de seus aliados tradicionais, Rússia, China e Turquia, “mas os chineses mostram pragmatismo e foco” na recuperação de seus empréstimos”, disse o Eurasia Group.

“Maduro tem limitadas opções de financiamento para compensar o impacto das sanções dos EUA, o que reforça a opinião de que ele não será capaz de sustentar seu regime”, disse ele.

“Santo virado”

Enquanto a ajuda humanitária chega à fronteira entre Colômbia e Venezuela, o Grupo de Contato Internacional (CIG), formado por países europeus e latino-americanos, se reúne em Montevidéu na quinta-feira para pedir eleições presidenciais “livres” em sua declaração final.

“Nós rejeitamos a parcialidade, a ideologização do documento do Grupo de Contato, mas estou pronto e disposto a receber qualquer enviado”, reagiu Maduro nesta sexta-feira.

Guaidó comemorou a declaração do Grupo de Contato e que o Uruguai aderiu. “Eles têm o santo virado (as coisas acontecem ao contrário), porque (o governo) procurou ganhar tempo (…), para relaxar a pressão que estamos exercendo”, disse ele.

Maduro acusou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e a UE de serem “surdos à verdade da Venezuela” e de ouvir apenas a direita.

O Grupo de Contato também decidiu enviar uma missão técnica à Venezuela e instou a “permitir a entrada urgente” de assistência humanitária e coordenar com as agências da ONU, que disseram que só agirá com o acordo das autoridades.

Em uma mudança de postura, o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, defendeu nesta sexta a proposta dp Grupo de Contato Internacional de convocação de eleições, considerando esta única saída possível para um país com dois presidentes.

“Não pode haver dois presidentes e dois governos em um país, isso irremediavelmente leva a uma escalada” da violência, disse Nin Novoa ao programa “En Perspectiva” da Radiomundo. “A única solução para dirimir isso é com eleições”.

Ele esclareceu, contudo, que o Uruguai não reconhecerá o autoproclamado Juan Guaidó, como presidente encarregado da Venezuela.

Maduro já disse que está “preparado” para uma negociação, mas Guaidó novamente se recusou a aceitar qualquer “falso diálogo” que permitisse a Maduro ganhar tempo.

O presidente disse esperar que o papa Francisco concorde em interpor seus bons ofícios para um diálogo, que ele pediu em uma carta.

“Esperamos pacientemente por sua resposta e pedimos a Deus que a resposta seja muito iluminada”, disse ele.

O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela (TSJ) pediu nesta sexta à Assembleia Constituinte “decisões” sobre o Parlamento de maioria opositora e seu líder, Juan Guaidó.

A Sala Constitucional do TSJ solicitou à Constituinte “uma tomada de decisões pertinentes”, após declarar a “nulidade absoluta” de uma Lei de Transição aprovada na terça-feira pelo Legislativo, que foi denunciada como “um golpe de Estado”.

Segundo essa lei aprovada pelo Congresso, quando Maduro deixar o poder, Guaidó convocará eleições em 30 dias, mas, se por alguma razão técnica não o fizer, poderá ficar à frente do governo interino por 12 meses.

O TSJ classificou a lei como um “ataque ao estado de direito”, pois estabelece igualmente a renovação de todos os poderes públicos.

Guaidó se proclamou presidente interino em 23 de janeiro, depois que o parlamento declarou Maduro “usurpador” por ter sido reeleito em eleições questionadas dentro e fora da Venezuela.

 

Fonte: Yahoo!

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