Covid-19: para presidente de cruzeiros no Caribe, outros podem morrer se não puderem atracar

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O presidente da linha de cruzeiros Holland America, que opera duas embarcações que levam a bordo quatro mortos e dezenas de infectados aparentemente pelo coronavírus, alertou nesta terça-feira (31) que mais pessoas podem morrer se não forem autorizados a atracar no estado da Flórida, nos Estados Unidos.

“Já morreram quatro passageiros e temo que existam mais vidas em risco”, escreveu Orlando Ashford, presidente da Holland America, em uma carta aberta ao jornal local Sun Sentinel.

“Essas são almas desafortunadas que ficaram involuntariamente presas nas restrições políticas, de saúde e das fronteiras que se fecharam rapidamente no mundo”, acrescentou.

“Com toda razão, os países têm se concentrado na crise da Covid-19 pela qual estão passando”, disse Ashford.

“Mas estão dando as costas a milhares de pessoas que ficaram à deriva no mar”. O que aconteceu com a compaixão e a solidariedade com o próximo?”, questionou o presidente da linha de cruzeiros.

O barco “Zaandam”, da Holland America, tinha como previsto atracar em Fort Lauderdale no dia 7 de abril, no final do cruzeiro de um mês.

No entanto, houve um surto de coronavírus a bordo, e vários portos latino-americanos fecharam as portas a ele. Na última passada, saiu da Califórnia um pequeno navio assistente, o “Rotterdam”, para prestar ajuda e fornecer suprimentos ao “Zaandam”, além de separar os passageiros em dois barcos.

Centenas de passageiros aparentemente saudáveis foram então transferidos ao Rotterdam, e os navios percorreram o Canal do Panamá durante o final de semana rumo a Fort Lauderdale, situado a 50 km de Miami, onde poderiam chegar na próxima quarta-feira à noite ou na quinta-feira pela manhã.

No entanto, as autoridades de Fort Lauderdale rejeitam a ideia. O governador da Flórida, Ron DeSantis, disse na última segunda-feira que não quer que pessoas contaminadas dos barcos sejam “descartadas” em seu estado e ofereceu, em troca, enviar uma equipe médica.

O seu principal argumento é que os condados de Miami e Broward, onde está Fort Lauderdale, concentram 60% dos mais de 6.000 casos de coronavírus no estado e precisa de equipamentos hospitalares para conseguir atender os moradores da região.

O estado não pode permitir “que pessoas que sequer são da Flórida sejam deixadas aqui no sul para que usem nossos valiosos recursos”, disse DeSantis.

Entretanto, William Burke, vice-presidente da linha de cruzeiros Carnival – que opera Holland America -, expôs nesta terça frente a Comissão do Condado de Broward uma proposta de plano de ação para o eventual desembarque de passageiros e tripulantes.

Segundo apresentou, há a proposta de transportar em voos à Europa e à costa oeste dos EUA os passageiros que não apresentarem sintomas, muitos dos quais viajam atualmente no Rotterdam, e continuar atendendo os doentes a bordo do Zaandam, até que se recuperem.

“Temos vários ventiladores, oxigênio extra, temos equipamento adequado”, disse, acrescentando contar com médicos e enfermeiros.

Burke informou que 11 testes para coronavírus tinham sido feitos, dos quais nove foram positivos. Até o momento, há cerca de 200 passageiros e tripulantes no Zaandam com sintomas parecidos aos de uma gripe.

A Comissão do Condado de Broward, onde Fort Lauderdale está localizado, deve tomar uma decisão na quinta-feira pela manhã a respeito da amarração das embarcações em coordenação com autoridades do porto, da guarda costeira e dos centros para o controle de doenças, anunciou o prefeito Dale Honless.

Nas duas embarcações há 1.243 passageiros e 1.247 tripulantes.

Fonte: Yahoo!

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