Morre o botucatuense Edgard Alves, jornalista referência em esporte olímpico, aos 73 anos

Edgard Alves tinha como companheiro, na redação da Folha de S.Paulo, um caderno espiral em que registrava tudo. Sempre com uma caneta quatro cores na mão. Para cada tipo de anotação, fosse uma apuração de notícia, um resultado de jogo, era uma cor diferente. A mesa que ele ocupava virou sempre ponto de passagem na redação. A experiência, o conhecimento da cobertura in loco de sete Olimpíadas e quatro Jogos Pan-Americanos e a vontade de repassar o que sabia serviam de ímã para todos ao redor. O coração parou Edgard aos 73 anos. Nesta sexta-feira, o mestre do jornalismo esportivo morreu de infarto.

Edgard Alves (de boné) com a equipe da Folha na Rio 2016 — Foto: Arquivo pessoal

Edgard Alves (de boné) com a equipe da Folha na Rio 2016 — Foto: Arquivo pessoal

Ele começou na Folha em 1967. Foi repórter e chefe de reportagem. Nos últimos 10 anos, era colunista. Nascido em Botucatu (SP), Edgard foi aos Jogos Olímpicos de Montreal 1976, Moscou 1980, Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008 e Rio 2016. Dos esportes que mais apreciava estavam o basquete, o atletismo e o boxe.

Sua última colaboração na Folha foi uma coluna sobre as Olimpíadas de Inverno, em Pequim – texto publicado na última segunda-feira. Edgard Alves tinha extremo cuidado com a apuração dos fatos e com o texto, ferramenta essencial para qualquer jornalista. Era carinhosamente chamado de Degas pelos companheiros.

Referência de gerações de jornalistas, Edgard recebeu homenagens do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), além do Corinthians, seu time.

O jornalista deixou dois filhos, Aline e Leandro, dois netos, Pietra e Victor, e a viúva, Iara.

Fonte: G1