13 abril, 2024

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Mocho-dos-banhados: a coruja que atrai observadores por onde aparece

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Não é preciso ser observador de aves ou mero admirador da natureza para se impressionar com a beleza da coruja Asio flammeus, popularmente conhecida como mocho-dos-banhados devido ao comportamento e ambiente em que habita.

Em inglês, ela ganha o nome de Short-eared Owl‘ por conta das penas escondidas que possui na cabeça e que, quando estão à mostras, parecem formar duas “orelhas”.

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Mocho-dos-banhados é coruja que tem ampla distribuição pelo mundo (Foto: Rui Randi)

Considerada uma das espécies com maior distribuição pelo mundo, essa caçadora por excelência chama atenção sempre que aparece, seja pela imponência, ou ainda pela forma majestosa de voar. Mede cerca de 40 centímetros de comprimento e possui as penas em tons creme e castanho.

A face clara, quase esbranquiçada, é marcada por um sombreado na região dos olhos, que são amarelos. É parente próxima de espécies como a coruja-orelhuda (Asio clamatore o mocho-diabo (Asio stygius).

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Mas afinal, por que ela chama tanta atenção? Há quem diga que ela seja uma das corujas mais bonitas do mundo, e tal argumento seria o suficiente como resposta, mas a somatória das particularidades que possui tornam essa espécie ainda mais especial, como por exemplo o fato dela poder ser observada durante o dia.

Mocho-dos-banhados caça em voo e ao localizar uma presa se lança no solo (Foto: Rui Randi)

A mocho-dos-banhados possui hábito crepuscular e, apesar de ser também noturna, antes mesmo do sol se pôr ela pode aparecer sobrevoando ambientes abertos em busca de alimento. E isso não é um comportamento tão comum de se encontrar, afinal, no Brasil, são poucas as espécies de corujas que ficam ativas à luz do sol.

O grande x da questão é saber onde encontrá-la. Conhecer o ambiente que ela gosta de viver é sem dúvida a principal pista, porém, não é em todo banhado, área aberta e campo que ela está presente.

Além disso, a espécie reproduz no solo e consegue facilmente se esconder em meio à vegetação de capim mais elevada. É uma coruja que não dá pra prever um encontro. Por isso, quando um observador de aves avista uma mocho-dos-banhados, o “causo” vira um acontecimento e instiga novos observadores a irem até o local para contemplar essa ave de perto.

Coruja vive em ambientes abertos como campos e banhados (Foto: Rui Randi)

Foi o que ocorreu em Indaiatuba, município localizado no interior de São Paulo. No último ano, em uma área de campo aberto da cidade, a espécie foi localizada e durante meses foi avistada por lá. Depois, a intensidade dos encontros reduziu. Acreditava-se que ela tivesse desaparecido, ou simplesmente encontrado outra área para viver.

Um ano depois dos melhores meses de avistamento da mocho em Indaiatuba, perto da mesma localidade do ano passado, observadores locais encontraram o bicho novamente. Dessa vez, eles se depararam com dois indivíduos, que provavelmente são um casal. Desde então, amantes da natureza têm se deslocado para esse espaço para encontrá-la, mas nem sempre é fácil.

“Há uns anos eu fui atrás dela em Americana, descobri através do WikiAves, mas fui lá umas três vezes e não consegui localizá-la. Em Indaiatuba eu fui nove vezes em busca dela e consegui avistar em quatro delas”, comenta o empresário e observador de aves, Rui Randi.

Mocho-dos-banhados sofre com impacto da expansão imobiliária (Foto: Ananda Porto/TG)

Uma das grandes ameaças para a espécie no nosso país é a expansão urbana, sobretudo a imobiliária, pois, ambientes que eram territórios da coruja acabam com o passar dos anos se tornando condomínios e loteamentos e, com isso, a ave vai perdendo espaço para sobreviver. Além disso, o uso de agrotóxico e raticida para eliminar possíveis pragas e roedores podem causar a morte dessa ave que tem esses animais como principais presas.

Uma curiosidade é que a mocho-dos-banhados além de emitir sons como o da vocalização e o chamado, ela produz um som único com o bater das asas, comportamento semelhante ao de bater palmas. Esse é um display da espécie, ou seja, uma possível exibição acrobática para atrair a fêmea, outra característica incomum de observar entre as corujas.

No Brasil, a mocho-dos-banhados é residente, sendo encontrada desde a Bahia e Minas Gerais até o Sul do país. Há também registros da espécie em estados como Roraima, Tocantins, Maranhão e Rio Grande do Norte, por exemplo. No Hemisfério Norte as populações de mocho-dos-banhados realizam pequenas migrações, por isso ela é considerada parcialmente migratória.

O fato é que, se você ouviu falar de uma mocho-dos-banhados por perto, aproveite a oportunidade para tentar vê-la, afinal, não é todo dia que uma das corujas mais belas do mundo dá o ar da graça.

Mestre no ar e rainha no solo

Há quem tenha a sorte de observar a mocho-dos-banhados pousada em uma árvore, ou até em mourão, porém, o mais fácil de acontecer é observá-la em ação, caçando. Isso porque ela sobrevoa os campos abertos à procura de alimento. Enquanto voa quase rente a vegetação, a mocho utiliza a visão e também o aguçado ouvido para detectar as presas. Quando identifica um alvo ela se lança na vegetação para o ataque.

A habilidade que tem no ar, com voos lentos e quase flutuantes, ela demonstra ter também no chão. Por um capricho da natureza, a mocho faz o ninho no solo, utiliza o próprio corpo para abrir espaço e amassar o capim, onde deposita os ovos, que podem variar de 4 a 8. O ambiente é quase imperceptível aos nossos olhos e serve de proteção para a prole.

Fonte: G1

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