Ministério Público denuncia médica pela morte do bebê Breno

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou à Justiça, nesta segunda-feira (10), a médica Haydée Marques da Silva. Caso aceita a denúncia, ela será julgada no Tribunal do Júri por crime de homicídio doloso, com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de produzir o resultado), pela morte do bebê Breno Rodrigues Duarte da Silva. O MP também requer a suspensão do exercício profissional da médica.

Leia Mais:

Bebê morreu por omissão de socorro de médica, garante IML

‘Não estou arrependida porque não fiz nada de errado’, diz médica que se negou a atender bebê

Médica que omitiu socorro a bebê tem anotação criminal por caso semelhante, em 2010

Pais de bebê morto após médica não prestar socorro são amparados em enterro

Criança morre após médica se recusar a prestar socorro porque acabou seu expediente

Em 12 de junho, a médica Haydee disse que não tinha responsabilidade na morte do bebê Breno e que ele não corria risco de vida. De acordo com o relato da médica, a técnica em enfermagem teria informado que o quadro era de uma gastroenteirite de uma criança de um ano com neuropatia.

“Estou triste e muito abalada pela criança ter morrido, mas não estou arrependida porque não fiz nada de errado do código de conduta médica. Eu pedi outra unidade, com pediatra para atendê-lo. Não sou pediatra, não sou neurologista, pedi à outra unidade de ambulância para atender esta criança. Disseram que a unidade estava indo”, disse a médica.

De acordo com a denúncia, Haydée recusou-se a prestar atendimento a Breno Rodrigues justificando que não era pediatra. O paciente apresentava sintomas que indicavam o quadro classificado como “urgência com prioridade”, que demanda atendimento em dez minutos.

Ao requerer a suspensão do exercício da função da médica, o MP sustenta “que a gravidade dos fatos narrados e diversas notícias anteriores de maus atendimentos, inclusive um recente que resultou em homicídio culposo, demonstra a total instabilidade e falta de equilíbrio de Haydée para o exercício da Medicina, revelando a imensa probabilidade de que prossiga reiterando as práticas abusivas e criminosas”, informou trecho da denúncia.

Breno permaneceu sem o devido atendimento por aproximadamente 1h30, quando a segunda equipe de socorro chegou ao local. Segundo os registros, a causa principal da morte foi “broncoaspiração maciça”, sendo a omissão da médica fator determinante para o resultado.

As câmeras de segurança do condomínio onde a criança morava mostraram, na ocasião, que a ambulância da empresa Cuidar, terceirizada, chegou ao local às 9h10. Mas a médica que aparece gesticulando e rasgando papéis sequer desceu do carro. O veículo foi embora três minutos depois, sem atender o menino. A criança morreu às 10h26, antes que a segunda ambulância chegasse ao endereço.

Haydée possui ainda uma anotação criminal por agredir uma paciente, em 2010. O Conselho Regional de Medicina disse também que a médica já sofreu uma sanção técnica, mas não explicou exatamente qual foi a punição e nem por qual caso.

Bebê morre depois que médica se negou a prestar socorro (Foto: Reprodução)
Bebê morre depois que médica se negou a prestar socorro (Foto: Reprodução)

Fonte: G1

Scroll Up