Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, é preso em operação da PF sobre corrupção do MEC

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro por suspeitas de envolvimento em corrupção e tráfico de influência durante sua gestão à frente do Ministério da Educação. Também foram presos e alvo de mandados de busca e aprensão os pastores lobistas Arilton Moura e Gilmar Santos, por suspeitas de crimes na liberação de recursos do MEC para prefeituras, além de Luciano Musse, ex-gerente de projetos da Secretaria Executiva da pasta, e o ex-assessor da Secretaria de Planejamento Urbano da prefeitura de Goiânia Helder Bartolomeu.

A operação foi autorizada pela 15ª Vara Federal do Distrito Federal e apura crimes como corrupção e tráfico de influência durante a gestão de Milton Ribeiro. A investigação teve início no Supremo Tribunal Federal, mas foi enviada à primeira instância depois que Milton deixou o cargo de ministro da Educação do governo Bolsonaro.

No total, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco prisões preventivas nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal, além de medidas cautelares como a proibição do contato entre os investigados. Até o final da manhã, todas as cinco prisões foram efetivadas.

O prédio do MEC foi um dos locais de buscas em Brasília. Em nota, a pasta afirmou que vai colaborar com as investigações e que o governo federal “não compactua com qualquer ato irregular”.

Reprodução do vídeo mostra momento em que ex-ministro Milton Ribeiro é preso pela PF por volta das 7h  — Foto: Reprodução/ Vídeo
Vídeo mostra momento em que ex-ministro Milton Ribeiro é preso pela PF por volta das 7h (Foto: Reprodução/ Vídeo)

“No sentido de esclarecer todas as questões, o MEC reforça que continua contribuindo com os órgãos de controle para que os fatos sejam esclarecidos com a maior brevidade possível”, diz a nota do ministério.

O atual ministro da pasta, Victor Godoy, ocupava o cargo de secretário executivo de Milton Ribeiro, ou seja, o número dois do MEC. Desde que assumiu o cargo, Godoy tenta se descolar da gestão anterior, da qual fez parte. O atual ministro fez mudanças no gabinete para afastar o fantasma do escândalo envolvendo atuação de pastores como lobistas.

Nomeado em abril, Godoy tenta se desvencilhar do caso e jogar as responsabilidades no colo de seu antecessor. Enquanto isso, se esforça para imprimir uma imagem de abertura ao diálogo a fim de apaziguar os ânimos em torno do MEC nos últimos meses de mandato do presidente Jair Bolsonaro. Segundo fontes da pasta, Godoy determinou fim de agendas organizadas pelos pastores e orientou ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que não realize mais encontros entre prefeitos e pastores como os relatados nas denúncias que vieram a público.

Em depoimento prestado no caso, Milton Ribeiro disse desconhecer a atuação dos pastores e afirmou que “não autorizou” os religiosos a falar em nome do ministério. “Não tinha conhecimento que o pastor Gilmar ou o pastor Arilton supostamente cooptavam prefeitos para oferecer privilégios junto a recursos públicos sob a gestão do FNDE ou MEC”, disse.

O advogado do ex-ministro, o criminalista Daniel Bialski assumiu o caso nesta quarta-feira e disse que busca ter acesso ao processo para ingressar com um Habeas Corpus pela soltura de Ribeiro.

– Mesmo sem conhecer profundamente o caso, parece-me que essa prisão preventiva não possui contemporaneidade (os fatos ocorreram há muito tempo) e não haveria nem razão e ou motivo concreto para essa custódia antecipada- afirma o advogado.

Procurada, a advogada de Arilton Moura, Nara Nishizawa, afirmou que a defesa vai se manifestar nos autos. O defensor de Gilmar Santos, Wesley Costa, não se manifestou. A reportagem não localizou as defesas de Musse e de Bartolomeu até a publicação da notícia.

Entenda o caso

Segundo relato dos prefeitos abordados pela dupla, os pastores pediam propina até mesmo por meio da compra de bíblias. Os livros traziam fotos do ministro Milton Ribeiro. Em um áudio revelado pela “Folha de S. Paulo”, Ribeiro afirma que a prioridade dada a Gilmar Santos e Arilton Moura foi um pedido do próprio presidente Jair Bolsonaro.

Após o caso vir a público, Bolsonaro saiu em defesa do subordinado e afirmou que botaria “a cara no fogo” por Milton Ribeiro. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também defendeu Ribeiro. Segundo ela, o ex-ministro provaria que é “uma pessoa honesta”.

Fonte: G1