Militares vão a povoado indígena guatemalteco após protesto contra mineradora suíça

Centenas de policiais e militares foram enviados neste domingo (24) a El Estor, povoado indígena do nordeste da Guatemala, onde o governo declarou estado de sítio, um dia depois de a polícia dissolver um protesto contra uma mineradora suíça que deixou quatro agentes baleados.

As forças de segurança – cerca de 500 soldados e 350 policiais – abriram caminho em caminhões, patrulhas e blindados pelas ruas do povoado maia q’eqchi’, situado 315 km a nordeste da capital por estrada – quase sete horas de viagem -, observaram jornalistas da AFP.

Alguns moradores deste município de 76.000 habitantes só observaram, tentando levar a vida normalmente. Alguns nadavam nas águas do lago de Izabal, vizinho ao povoado.

A ordem do presidente Alejandro Giammattei, vigente por 30 dias, limita o direito à manifestação, permite às forças de segurança a realizar detenções sem ordens judiciais, estabelece toque de recolher entre as 18h e as 06h, assim como outras restrições, detalhou o decreto publicado no diário oficial.

“No município de El Estor (…), diversos habitantes e grupos armados executaram uma série de ações que se enquadram em indícios fundamentados de atos violentos e ataques às forças de segurança”, segundo o texto.

O estado de sítio deve ser ratificado nos próximos dias pelo Congresso para não perder sua vigência.

No sábado, policiais liberaram uma rodovia, onde um grupo de indígenas tinha se colocado desde 4 de outubro “em resistência” para denunciar que a Companhia Guatemalteca de Níquel, subsidiária da empresa suíça Solway Investment Group, mantém operações apesar de a justiça ter determinado sua suspensão enquanto o governo faz uma consulta popular.

O grupo, que se opõe à mineradora por considerar que causa danos ambientais, também denunciava que o Ministério de Minas e Energia não os tinha levado em conta no processo que levará ao referendo.

Na operação, quatro militares foram feridos a bala nas pernas, segundo um boletim da polícia. Vários moradores foram afetados por bombas de gás lacrimogêneo disparadas pela tropa de choque, segundo a imprensa local.

“Este estado de sítio vigora apenas para privilegiar e assegurar o trabalho de mineração”, disse à AFP Abelino Chub, um dos líderes indígenas contrários à exploração mineradora em El Estor e que atribuiu o ataque aos policiais a “infiltrados” no movimento.

Chub considerou que a limitação dos direitos civis visa a assustar a população, contrária à empresa mineradora e alertou para o recrudescimento da perseguição e a criminalização dos dirigentes das organizações comunitárias contrárias à empresa.

Fonte: Yahoo!

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