20 de junho, 2026

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Mil anos depois, a árvore de Robin Hood morre na Inglaterra

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Um dos símbolos mais conhecidos da Floresta de Sherwood, na Inglaterra, morreu depois de aproximadamente 1.200 anos de existência. O Major Oak, carvalho de grande porte associado à lenda de Robin Hood, teria servido de esconderijo para o ‘fora da lei’ e seus companheiros, segundo a tradição local.

A morte da árvore foi confirmada na quinta-feira (18) pela Sociedade Real para a Proteção das Aves (RSPB), entidade responsável pela conservação da área. O principal sinal foi a ausência de folhas durante a primavera deste ano no hemisfério norte, como trazem a agência de notícias Associated Press e o jornal The Guardian.

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Segundo conservacionistas, décadas de visitação intensa podem ter contribuído para o declínio do carvalho. Milhões de pessoas passaram pela região nos últimos dois séculos, compactando o solo ao redor do tronco e dificultando a infiltração de água da chuva até as raízes.

“É de partir o coração para todos ver que a árvore não produziu folhas neste ano”, afirmou Hollie Drake, representante da RSPB, em comunicado, conforme traz a AP.

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O Major Oak é um dos marcos mais conhecidos da Floresta de Sherwood, cenário associado às histórias de Robin Hood, personagem do folclore inglês que teria vivido no século XIII roubando dos ricos para ajudar os pobres. Segundo a lenda, o grupo liderado por Robin Hood se refugiava na floresta para escapar da perseguição do xerife de Nottingham, e o carvalho passou a ser apontado, ao longo dos anos, como um dos esconderijos do personagem.

O nome Major Oak surgiu em 1790, após a árvore ser mencionada em uma obra sobre carvalhos escrita pelo naturalista e militar britânico Hayman Rooke.

O carvalho tinha um tronco com cerca de 11 metros de circunferência e uma copa de 28 metros de diâmetro, dimensões que ajudaram a transformá-lo em um dos pontos mais visitados da floresta, recebendo hoje cerca de 350 mil pessoas por ano. Em 2010, a neve que caiu sobre a árvore chegou a desenhar, em um efeito visual curioso, uma silhueta no tronco que lembrava o personagem Frei Tuck, associado às histórias de Robin Hood.

Major Oak, Floresta de Sherwood, Nottinghamshire, Inglaterra, Reino Unido. Estima-se que tinha mais de 1150 anos e está associado à história de Robin Hood (Foto: Um só Planeta)

Especialistas afirmam que não é possível apontar uma única causa para a morte da árvore. Além da compactação do solo pelo fluxo intenso de visitantes ao longo de décadas, o Major Oak enfrentava desafios relacionados à idade avançada e às intervenções necessárias para sustentar seus enormes galhos, apoiados por postes e cabos há décadas.

O carvalho está entre os mais antigos e maiores da Europa e vinha sendo afetado por uma sequência de verões quentes e secos, com destaque para a onda de calor de julho de 2022, quando o Reino Unido registrou temperaturas recordes de 40°C. Segundo especialistas, esses episódios de calor e seca associados às mudanças climáticas têm imposto estresse recorrente a carvalhos antigos como o Major Oak.

A solidez de seus galhos também foi comprometida, ao longo do tempo, por intervenções humanas feitas com a intenção de preservar a árvore. Em 1904, foram instalados suportes e correntes metálicas para sustentar os ramos. Já na década de 1960, partes ocas do tronco foram preenchidas com concreto, e alguns galhos chegaram a ser revestidos com chumbo, depois fibra de vidro e tratados com tinta retardante de fogo. Para especialistas, esses suportes, embora bem-intencionados, podem ter colocado peso adicional sobre os galhos da árvore, já que carvalhos antigos tendem naturalmente a perder ramos e reduzir o tamanho da copa com o passar dos anos, o que diminui sua necessidade de água e nutrientes.

A Inglaterra concentra uma quantidade incomum de carvalhos muito antigos e de grande porte: segundo levantamento citado por conservacionistas, há 114 carvalhos vivos no país com mais de nove metros de circunferência, descritos como os “rinocerontes-brancos do Reino Unido”, ante 98 exemplares de porte semelhante encontrados em todo o restante da Europa, incluindo Escócia e País de Gales.

Após o anúncio da morte do Major Oak pela RSPB, um homem fantasiado de Robin Hood chegou de van elétrica até a árvore para um funeral improvisado e informal. Robert Brackley, educador que há anos apresenta o carvalho a escolares vestido com trajes inspirados no personagem, com arco e flecha funcionais, disse que a árvore deixa como legado as histórias que inspirou e a definiu como “a árvore mais famosa do mundo”, acrescentando que a lenda em torno dela permanece viva.

Visitantes da Espanha, de Sheffield, dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e da Austrália pararam diante da árvore para uma despedida. O menino Carter Jackson, de oito anos, natural de Sheffield, descreveu o carvalho como uma árvore enorme e bonita, lamentando sua morte. O pai dele, Ryan Jackson, comentou que, apesar da tristeza, a árvore representava um pedaço de história e havia alcançado mil anos de existência. Já a turista Kirsty Champion, de Adelaide, na Austrália, disse lamentar a perda e refletiu que as tentativas de conservar a árvore podem, em algum grau, ter contribuído para o seu desgaste.

Fonte: Um Só Planeta

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