Menina de 3 anos que nasceu com ‘meio coração’, no interior de SP, realiza cirurgia de correção de síndrome rara

A menina de 3 anos que nasceu em Platina (SP) com uma síndrome rara popularmente conhecida como “meio coração” realizou a cirurgia de correção da cardiopatia em 28 de outubro deste ano com sucesso.

A família de Pérola Maria Teixeira Queiroz Bezerra realizou uma campanha nas redes sociais para arrecadar o valor necessário para a cirurgia, na esperança de que fosse realizada em dezembro.

Porém, a campanha não atingiu o valor estipulado de R$ 120 mil. Em entrevista, a mãe de Pérola, Wanessa Teixeira Queiroz Bezerra, conta que foram arrecadados pouco mais R$ 27 mil até o momento da cirurgia.

Entre “idas e vindas” de Platina (SP) a São Paulo (SP), onde a família buscou o tratamento e a cirurgia, Wanessa conseguiu um doador para o resto do valor estipulado. Entretanto, o convênio da capital forneceu a cirurgia, que foi realizada antes mesmo do esperado.

“Passamos por uma consulta em um hospital de São Paulo que não era referência para o tratamento da cardiopatia. Então, respondi que não era o que a gente procurava. Na semana seguinte, o convênio liberou a cirurgia por conta da condição da minha filha”, conta Wanessa.

Assim, segundo a mãe, no dia 20 de outubro Pérola seguiu para a internação. Esses oito dias de espera foram marcados por diversos exames e remédios que a prepararam para a cirurgia, considerada complicada e de altos riscos.

“Se você pesquisar sobre a Hipoplásia do Ventrículo Esquerdo você vai ver que em muitos casos existe uma incompatibilidade com a vida, são poucas as crianças que sobrevivem. A cirurgia em si é muito arriscada, são 95% de chances de não dar certo”, diz Wanessa.

Menina de 3 anos nasceu com cardiopatia rara e sofreu um AVC ainda bebê (meio coração platina) — Foto: Wanessa Teixeira Queiroz Bezerra/ Arquivo pessoal
Menina de 3 anos nasceu com cardiopatia rara e sofreu um AVC ainda bebê (meio coração platina) — Foto: Wanessa Teixeira Queiroz Bezerra/ Arquivo pessoal

Após pouco mais de quatro horas, a cirurgia foi concluída. Pérola ainda segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), se recuperando do pós-procedimento, já que, ainda que tenha sido bem-sucedida, a menina sofreu complicações pulmonares.

“A Pérola teve gordura no pulmão, por isso vamos continuar com as consultas com o pneumologista e continuar atentos a possíveis infecções”, comenta.

O dinheiro arrecadado com a campanha nas redes sociais será usado para os próximos tratamentos, afinal, segundo a mãe, “o tratamento é vitalício, a vida inteira ela vai precisar realizar exames e consultas”.

“Ela vai precisar fazer acompanhamento a cada dois meses para verificar o desenvolvimento pós-cirúrgico e o quanto o coração reage com isso. Precisamos ver a parte torácica também, já que ela usa traqueostomia e avaliar se ela já pode tirar. O custo do tratamento é alto, por isso seguimos com a campanha de arrecadação”, relata.

Síndrome rara

Pérola foi diagnosticada com a Síndrome de Hipoplásia do Ventrículo Esquerdo ainda na barriga da mãe com 23 semanas de gestação. A síndrome causa uma atrofia no lado esquerdo do coração, que acaba não se desenvolvendo, por isso o termo “meio coração”.

Os bebês que nascem com essa cardiopatia precisam passar por três cirurgias de correção durante a vida e em alguns casos pelo transplante de coração. A menina passou por dois procedimentos ainda bebê, o primeiro deles com três dias de vida e o segundo procedimento com 4 meses.

Mas, um acidente vascular cerebral que ela sofreu dois dias após a primeira cirurgia complicou o quadro e por questões neurológicas, a família foi orientada a realizar a terceira cirurgia necessária em um hospital de referência em São Paulo.

Por conta do AVC, Pérola também precisou passar por uma traqueostomia, uma cirurgia no diafragma e há um ano ela começou a ter convulsões.

“O AVC comprometeu todo o lado direito do cérebro dela e nós passamos por muitos neurologistas que constataram que as questões neurológicas complicaram muito a situação para essa terceira cirurgia que a gente já sabia que ela ia ter que fazer. Essa condição da cardiopatia dela é bem rara e são poucos hospitais que fazem essa cirurgia com excelência inclusive no pós-operatório”, explica a mãe da menina, Wanessa.


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