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Arqueólogos identificaram a maior vila romana já encontrada no País de Gales, escondida sob o Margam Country Park, um parque público muito frequentado no sul do país, informou o site da BBC. A descoberta, revelada após levantamentos com radar no solo, aponta para uma estrutura monumental preservada, localizada a menos de um metro da superfície.
Segundo os pesquisadores, a vila ocupa uma área de 572 metros quadrados, tem cerca de 43 metros de comprimento e apresenta um complexo aspecto arquitetônico, com corredor central, duas alas, varanda frontal e ao menos 14 cômodos. O conjunto está inserido em um espaço que inclui ainda um edifício anexo, de 354 metros quadrados, que pode ter funcionado como salão de reuniões.
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O sítio foi identificado em uma área que historicamente funcionou como parque de cervos, sem atividades agrícolas ou urbanização moderna — um fator considerado importante para o alto nível de preservação das estruturas e que detalha como o uso do solo e a conservação ambiental influenciam diretamente a proteção do patrimônio histórico.
A descoberta desafia interpretações consolidadas sobre o papel do sul do País de Gales no período romano. Até agora, a maioria dos vestígios conhecidos na região estava associada a fortes e acampamentos militares. A presença de uma grande propriedade rural sugere que Margam era um importante centro agrícola e político, com edificações comparáveis às encontradas nas regiões mais ricas da Inglaterra romana.
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Os pesquisadores afirmam que o achado pode obrigar especialistas a rever a leitura histórica da região, frequentemente tratada como periferia do Império Romano. “Essa descoberta obrigaria especialistas a reescrever a forma como pensamos o sul do País de Gales no período romano-britânico”, afirmou o arqueólogo Alex Langlands, que é coordenador do projeto. A vila indica um grau elevado de sofisticação e concentração de poder, incompatível com a ideia de um território marginal.
“Este teria sido um lugar bastante movimentado — o centro de uma grande propriedade agrícola”, enfatizou Langlands.
Por enquanto, a localização exata do sítio não foi divulgada, por questões de segurança, bem como uma questão de preservação. A prioridade, segundo a equipe, é conservar a área antes de qualquer escavação extensiva. Novos estudos e buscas por financiamento devem definir os próximos passos.
Além do valor científico, a descoberta reforça a importância da preservação de áreas verdes e parques públicos como instrumentos de proteção ambiental. O achado surge como oportunidade de valorização do patrimônio, fortalecimento da identidade cultural e estímulo a formas sustentáveis de turismo.

Fonte: Um Só Planeta