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Um escorpião de cerca de 1 metro de comprimento e pinças de 16 centímetros pode ter sido um dos principais predadores da Terra há 415 milhões de anos, muito antes do surgimento das primeiras florestas. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Palaeontology, que identificou fósseis encontrados no atual Reino Unido como pertencentes a uma espécie gigante de escorpião pré-histórico.
Batizado de Praearcturus gigas, o animal viveu durante o Período Devoniano Inicial, quando a vida terrestre ainda era dominada por pequenos artrópodes, grupo que inclui insetos, aranhas, crustáceos e os próprios escorpiões.
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A descoberta surpreende porque, naquela época, quase todos os animais que habitavam o ambiente terrestre tinham dimensões modestas. Ainda assim, esse gigante alcançou um tamanho comparável ao de um crocodilo pequeno.
“O que torna o Praearcturus tão interessante é que ele se tornou enorme em uma época em que a vida em terra firme era muito pequena”, afirmou Russell Garwood, um dos autores do estudo. “Era um mundo que, de alguma forma, conseguia sustentar um predador gigante.”
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Mistério de mais de 100 anos
Os primeiros fósseis da espécie foram encontrados na Inglaterra e no País de Gales ainda no século XIX. Desde então, os cientistas discutiam a qual grupo de animais aqueles fragmentos pertenciam.
Inicialmente, os restos foram atribuídos a um grande crustáceo semelhante a um tatuzinho-de-jardim. Na década de 1980, pesquisadores sugeriram que se tratava de um escorpião, mas a hipótese permaneceu controversa devido à fragmentação dos fósseis e à ausência da típica cauda desses aracnídeos.
Agora, uma equipe liderada por pesquisadores do Natural History Museum e da University of Manchester reexaminou os espécimes utilizando técnicas modernas de imagem e comparações com outros fósseis recentemente descritos.
“Confirmar que esse animal era um escorpião muda fundamentalmente nossa compreensão sobre como e quando esses animais evoluíram para tamanhos tão extraordinários”, disse Richard Howard, autor principal do trabalho, em nota.

Parte do tempo na água
A análise também sugere que o animal provavelmente tinha um estilo de vida semiaquático. Algumas estruturas preservadas nos fósseis indicam adaptações semelhantes às encontradas em crustáceos modernos, como lagostas e caranguejos.
Segundo os pesquisadores, isso ajuda a explicar como o escorpião conseguiu atingir dimensões tão grandes. A água oferece sustentação ao corpo e reduz limitações físicas enfrentadas por animais terrestres de grande porte.
“Sem ecossistemas terrestres complexos para sustentar o Praearcturus em terra, esses animais provavelmente passavam parte da vida caçando na água”, afirmou Howard.
Além disso, a ausência de outros grandes predadores terrestres pode ter favorecido a evolução do gigantismo. O estudo sugere que o escorpião ocupava o topo da cadeia alimentar em planícies alagadas que existiam onde hoje ficam partes da Inglaterra e do País de Gales.
A descoberta amplia o conhecimento sobre a evolução dos artrópodes gigantes e mostra que predadores de grande porte surgiram muito antes do que se imaginava em ambientes terrestres ainda pouco desenvolvidos.
Fonte: Um Só Planeta