Justiça decreta prisão preventiva de cuidadora que esqueceu bebê dentro de carro em Bauru

A mulher de 35 anos presa na tarde desta quarta-feira (25) por ter esquecido dentro de um carro um bebê de 2 anos, em Bauru (SP), teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva pela Justiça, durante audiência de custódia realizada na tarde desta quinta-feira (26). A criança não resistiu e morreu.

Glaucia Aparecida Luiz foi presa por homicídio com dolo eventual e a Polícia Civil ainda não informou se ela permanecerá na cadeia de Avaí, para onde foi levada após ser presa. A defesa de Glaucia informou que entrará com pedido de liberdade provisória, pois “nunca houve a intenção de ocasionar tal resultado”.

O caso será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, por conta da inclusão da criança como vítima.

Cuidadora foi presa em Bauru e passou por audiência de custódia nesta quinta-feira: prisão preventiva decretada  — Foto: Fernanda Ubaid/ TV TEM
Cuidadora foi presa em Bauru e passou por audiência de custódia nesta quinta-feira: prisão preventiva decretada (Foto: Fernanda Ubaid/ TV TEM)

Segundo o delegado Eduardo Herrera, que está interinamente à frente da DDM, a polícia aguarda o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) e o laudo da perícia para definir os rumos da investigação, que vai buscar ouvir outros envolvidos no caso. Nesta quinta-feira, a polícia ouviu o depoimento da mãe do bebê.

Segundo a polícia, Glaucia cuida de cerca de 10 crianças com a ajuda da filha, de 16 anos, na casa delas, onde funcionaria uma creche irregular.

Em imagens gravadas pelo circuito de segurança, é possível ver que menino, chamado Arthur, está no banco da frente do carro, próximo ao para-brisa, dando a impressão que tentava abrir a porta e bater no vidro.

Segundo a polícia, a criança ficou no veículo fechado das 13h45 às 16h51. A gravação do momento em que o menino apareceu se mexendo ocorreu por volta das 14h, informou a polícia. (assista abaixo)

A cuidadora declarou que havia esquecido Arthur, filho do casal Fabrício Lucas do Santos e Karina Oliveira de Souza dos Santos, por cerca de 15 minutos. Mas a gravação mostra que, às 16h22, Glaucia saiu da casa para colocar o lixo na lixeira e passou ao lado do veículo. Ela, porém, não teria notado que a criança estava lá.

Somente às 16h51 é que a mulher abriu a porta do veículo para guardar alguma coisa, segundo a polícia. Nesse momento, a cuidadora percebeu que Arthur estava desacordado no banco de trás.

Ela pegou o menino no colo e entrou em casa. Minutos depois, saiu correndo com ele para levá-lo à Unidade de Pronto-Atendimento do Geisel. A criança já teria chegado sem vida ao local. De acordo com a equipe que fez o atendimento, Arthur tinha sinais de desidratação, sufocamento e maxilar rígido.

O boletim de ocorrência informou que Glaucia Aparecida entrou em contato com os pais do menino para dizer que ele estava sendo atendido na UPA. A mãe disse aos policiais que só ao chegar à unidade é que ficou sabendo que o filho havia morrido.

O corpo de Arthur foi velado em Bauru e sepultamento aconteceu na tarde desta quinta-feira, no cemitério municipal de Macatuba (SP).

Menino Arthur, que morreu em Bauru (SP) após ser esquecido em carro, com os pais — Foto: Arquivo Pessoal
Menino Arthur, que morreu em Bauru (SP) após ser esquecido em carro, com os pais (Foto: Arquivo Pessoal)

Suspeita de creche irregular

A cuidadora com o bebê no colo volta para casa; minutos depois ela saiu com menino para levá-lo até a UPA em Bauru — Foto: Circuito de segurança/ Reprodução
A cuidadora com o bebê no colo volta para casa; minutos depois ela saiu com menino para levá-lo até a UPA em Bauru (Foto: Circuito de segurança/ Reprodução)

Sobre a suspeita de que funcionaria uma creche irregular na casa de Glaucia, o delegado Mário Henrique de Oliveira afirmou:

“Ela tem um estabelecimento clandestino onde ela e a filha cuidam de mais de 10, 12 crianças. Ela leva essas crianças para lá e para cá, não tem uma estrutura. E outra: ela esqueceu essa criança no carro e ela não notou a falta da criança dentro da casa”.

Ainda conforme o delegado, houve falta de cuidados por parte da mulher, por isso o caso é investigado como homicídio com dolo eventual.

“Ela dá café, lanche e tem a hora do soninho, ou seja, uma série de atividades. Então, foi de uma falta de cuidado, de uma irresponsabilidade que supera a simples negligência, o simples descuido.”

A defesa da cuidadora disse que ela não teve a intenção de provocar a morte do menino.

“Glaucia e a família vêm colaborando veemente com as investigações, afim de esclarecer os fatos, até porque Glaucia não teve a intenção de levar a criança a óbito, tampouco de machucá-la. A defesa repassa as condolências e mais sinceros pêsames de Glaucia e sua família para os familiares do menino Arthur”, afirma o comunicado.

Fonte: G1 – Foto: Circuito de segurança/ Reprodução

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