Justiça confirma prisão de Crivella, e prefeito do RJ é levado para presídio

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Uma audiência de custódia no Tribunal de Justiça do Rio confirmou na tarde desta terça-feira (22) a prisão do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Ele e outros presos numa operação da polícia que foram ouvidos na audiência levados para o presídio de Benfica, na Zona Norte, por volta das 19h40, num comboio de seis carros.

Depois da passagem por Benfica, a Seap decidirá para qual unidade os presos serão levados, levando em conta quem tem nível superior. O prefeito é engenheiro.

A legalidade do procedimento de prisão do prefeito numa operação da polícia e do MP foi avaliada, conforme determinou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Ao ser ouvido, o prefeito afastado do Rio, Crivella afirmou que não houve excessos durante o cumprimento do mandado de prisão.

De acordo com o TJRJ, as audiências de Adenor Gonçalves e Fernando Moraes – com suspeita de Covid-19 – foram adiadas para quarta-feira (23), e serão feitas por videoconferência. Enquanto isso, serão levados para o Hospital Penitenciário.

Também participam da audiência os outros presos na operação:

  • Rafael Alves, empresário apontado como operador do esquema;
  • Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella;
  • Cristiano Stockler Campos, empresário.
Crivella chega ao presídio de Benfica (Foto: TV Globo)

Propinas chegaram a R$ 50 milhões, diz MP

Em entrevista coletiva na tarde desta terça, promotores do Ministério Público disseram que Prefeitura do Rio fazia pagamentos a empresas por conta da propina mesmo ’em situação de penúria’ e que o valor arrecadado pela organização criminosa chega a R$ 50 milhões.

“A organização criminosa arrecadou dos empresários pelo menos R$ 50 milhões, foi o que conseguimos apurar. Agora, quanto foi para cada um, aí realmente é algo que não temos essa previsão”, disse o subprocurador-geral Ricardo Ribeiro Martins.

O subprocurador-geral afirmou ainda que há indícios de que a “organização criminosa não se esgotaria” ao fim do mandato e, por isso, houve o pedido de prisão.

“Apesar de toda a situação de penúria (da Prefeitura), que não tem dinheiro nem para o pagamento do décimo terceiro, muitos pagamentos eram feitos em razão por conta da propina”, disse ele.

Após a prisão, o prefeito Marcelo Crivella negou as acusações e disse que é vítima de “perseguição política”.

“A prisão se revela espalhatosa e desnecessária. A defesa confia na pronta reparação desta violência jurídica”, disse João Francisco Neto, advogado de Rafael Alves.

QG da Propina’

A investigação aponta a existência de um “QG da Propina” na Prefeitura do Rio e Crivella seria o líder da organização criminosa.

No esquema, de acordo com as apurações do MP, empresários pagavam para ter acesso a contratos e para receber valores que eram devidos pela gestão municipal.

A desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, que deu a ordem de prisão, determinou o afastamento de Crivella a 9 dias do fim do mandato.

O investigador também descartou que a ação tenha ocorrido agora por qualquer interesse político.

“Até os 45 do segundo tempo vieram aos autos elementos de prova necessários para a denúncia. A escolha da data não depende da gente, a investigação tem vontade própria. Tivemos uma delação homologada há uma semana. O timing foi esse por ser o tempo da investigação”.

Prefeito em exercício

O presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (DEM), assume a prefeitura do Rio até o dia 31 de dezembro. O vice-prefeito, Fernando Mac Dowell, morreu em maio de 2018.

Suposto esquema criminoso na Prefeitura do Rio segundo denúncia do Ministério Público do Rio — Foto: Reprodução / TV Globo
Suposto esquema criminoso na Prefeitura do Rio segundo denúncia do Ministério Público do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)

Denúncias

A ação é um desdobramento da Operação Hades, que foi deflagrada em março e investiga um suposto ‘QG da Propina’ na Prefeitura do Rio.

As investigações, iniciadas no ano passado, partiram da colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy. Ele foi preso na Operação Câmbio, Desligo, um desdobramento da Lava Jato no Rio.

No depoimento, Mizrahy chama um escritório da prefeitura de “QG da Propina” e diz que o operador do esquema era Rafael Alves.

Rafael não possui cargo na prefeitura, mas tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos na campanha de 2016.

Depois da eleição, o empresário colocou o irmão Marcelo Alves na Riotur e, segundo o doleiro, montou um “QG da Propina”.

Na decisão que acarretou na prisão dos denunciados, a desembargadora diz que a troca de vantagens e o recebimento de propinas por parte dos membros do citado grupo criminoso se estendeu pelas mais variadas pastas, atingindo cifras milionárias.

Mizrahy afirma que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

Marcelo Alves foi exonerado da Riotur dias depois da operação, em 25 de março.

Os mandados desta terça foram cumpridos pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) da Polícia Civil e do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (Gaocrim), do MPRJ. A decisão é da desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita.

Fonte: G1 – Foto: TV Globo

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