Júnior Moraes é apresentado, diz que está pronto para estrear e rejeita pressão no Corinthians

Júnior Moraes, 34 anos, ex-jogador do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, foi apresentado nesta terça-feira como reforço do Corinthians.

A contratação, válida até dezembro de 2023, deu fim a uma longa busca do clube por um centroavante, que incluiu sondagens a nomes de peso, como os uruguaios Cavani e Suárez. Nada que faça o atleta temer a pressão por gols, segundo ele.

– Não me sinto pressionado, mas acredito que tenha expectativa de muita gente por me ver jogando. Vai ser um desafio grande para mim voltar e vestir essa camisa, nessa posição que é tão prestigiada, como centroavante, que vive momentos ruins quando não faz gol e maravilhosos quando marca. Quero estar bem preparado para desempenhar meu melhor futebol – disse o jogador.

O centroavante sentiu na pele o drama da invasão russa à Ucrânia. Ele foi uma espécie de líder na saída de um grupo de brasileiros que estava isolado em um hotel de Kiev. Naturalizado ucraniano, correu risco de ser convocado para a guerra.

Agora, pode pensar em futebol. E se vê em condições de estrear nesta quinta-feira, quando o Corinthians recebe o Guarani pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

– Devido a tudo que aconteceu durante a guerra, fiquei parado quase três semanas, sem treino. Lógico, preciso melhorar bastante. Mas nesses dias em que tenho treinado aqui, já sinto evolução. Já estou inscrito e à disposição do mister, a decisão de estrear ou não é dele, mas minha vontade de estar em campo e poder jogar é enorme. Nas últimas semanas, minha vida tem sido bem diferente do que era o habitual. Minha vida toda foi feita de muitos desafios. Tudo que eu passei nas últimas semanas foi bem difícil, mas estou com a cabeça boa, tentando focar só no futebol. Isso já ajuda bastante a estar com a cabeça mais livre – disse o jogador.

Júnior Moraes é apresentado no Corinthians — Foto: Rodrigo coca/Agência Corinthians
Júnior Moraes é apresentado no Corinthians (Foto: Rodrigo coca/Agência Corinthians)

Júnior Moraes também falou sobre suas características.

– Eu procuro sempre achar os espaços conforme o país ou o campeonato em que jogo. Aqui no Brasil, o estilo de jogo é totalmente diferente daquele da Europa. Vai ser um desafio tentar achar a melhor maneira de jogar para fazer gols. Acredito que a versatilidade que tenho, de mudar conforme o espaço que eu for encontrando, para ser eficiente, é uma das melhores características que tenho.

– Já joguei de várias formas diferentes. Aqui no Brasil, vai ser um desafio grande, estou voltando depois de muitos anos fora. Acredito que o maior desafio será procurar os espaços certos para desempenhar meu futebol e ser eficiente.

Júnior Moraes é apresentado no Corinthians — Foto: Rodrigo coca/Agência Corinthians
Júnior Moraes é apresentado no Corinthians (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

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Impressão sobre o Corinthians

– Tenho bastante amigo corintiano, alguns com quem joguei. Falam muito sobre o clube. Nos últimos meses, consegui conviver aqui dentro, tratei minha lesão aqui, e foi muito legal ver a atmosfera que tem dentro do clube. Todo dia que eu vim treinar aqui, passando momentos difíceis, desde o segurança, pessoal da cozinha até os jogadores, todos me trataram muito bem. Isso deixa um carinho, uma amizade. Quando teve a oportunidade de jogar aqui, não pensei duas vezes.

Torcida

– A expectativa é enorme, lógico. Poder jogar no estádio, ver a torcida puxando como sempre fez. Eu gosto de estar presente, por dentro de tudo que está acontecendo. Essa minha ida ao estádio foi justamente para sentir a atmosfera, entender. Ver o jogo no estádio é diferente do que na televisão. Eu procuro estar por dentro para ir entendendo como funciona e me adaptar melhor.

Meta de gols

– Eu sempre trabalho com metas, objetivos na minha carreira. Sempre foi assim. Mas sempre internamente, não gosto de expor. É uma tática que uso para poder estar sempre bem motivado, sempre buscando o gol. Mas acho que centroavante não pode viver só de gols, tem que ser eficiente em abrir espaços e dar assistência. Eu fico muito feliz dando assistências para meus companheiros. Se tiver que dar um carrinho e tirar uma bola, vou fazer. O importante para mim é sempre fazer o clube em que estou jogando vencedor.

Adaptação

– Eu vejo o futebol brasileiro com excelentes jogadores. A vinda de técnicos estrangeiros traz a tática e intensidade de fora. Acredito que temos o melhor futebol. Acredito que vou desfrutar bastante. Quando era jovem, não consegui desfrutar do campeonato nacional. Mas hoje eu pretendo, e aqui temos excelentes jogadores, podemos fazer uma parceria boa dentro de campo.

Relação com Willian

– É um amigo pelo qual tenho muito carinho. Desde Donetsk, em 2012, temos uma amizade muito bacana, com ele e com a família. Jogar com jogadores do nível dele é maravilhoso, facilita muito nossa vida. A expectativa é enorme, entrosar dentro de campo logo e ir atrás dos resultados.

Reação da família com retorno ao Brasil

– Na verdade, foi tudo muito rápido. Cheguei ao Brasil e fiquei um tempo com minha família, desliguei o telefone e fiquei dois dias off. O que passei foi muito difícil. No primeiro dia em que comecei a pensar no futuro, veio a possibilidade de jogar no Corinthians, por tudo que passei na fase de recuperação, o carinho que tive aqui após esse período, a amizade com todo mundo… Na conversa que tive com meu pai e meu irmão, a princípio, ficaram surpresos, mas logo entenderam os pontos e estão felizes agora, ansiosos para me ver jogar.

Calendário brasileiro

– Vai ser um desafio. Além do calendário, cada estado é um clima diferente, cada estádio é um gramado diferente, são detalhes. Eu me cuido muito, muito mesmo. Acredito que hoje em dia para ter uma performance boa, o cara tem que se cuidar bem. E eu vou fazer o máximo para estar em campo o máximo de jogos possíveis, mas na hora que tiver um risco e precisar ficar fora, o Corinthians tem bastante profissionais capacitados para gerir o grupo.

Liderança

– O Corinthians está bem servido de líderes. Não é algo que eu precise assumir, porque existem ótimos líderes aqui dentro, experientes também. Pelo exemplo no dia a dia, dentro de campo, acho que é a melhor maneira que posso ajudar dentro de campo.

Ucrânia em guerra

– Muito triste. Tinham muitos jogadores que estavam indo para a Ucrânia em busca de desafios, oportunidades para jogar. Esse ano acredito que triplicou o número de brasileiros que foram jogar lá. É muito triste. Não falo tanto pelos jogadores do Shakhtar, a maioria é jovem e tem muita procura. Mas é mais complicado para os jogadores que não são tão conhecidos. Eu não converso com todos, mas tem alguns com quem mantenho contato por telefone, que pedem ajuda e eu tento ajudar da forma que eu posso. A única esperança que os ucranianos têm é essa guerra parar. Muitos já foram embora para se manterem seguros. Outros se encontram em bunkers sozinhos, só esperando a guerra acabar.

Fonte: G1