12 de fevereiro, 2026

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Jovem de 18 anos é identificada como autora de ataque a tiros em escola no Canadá

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Nove pessoas morreram e outras 25 ficaram feridas em um ataque a tiros na província da Colúmbia Britânica, no oeste do Canadá. Entre as vítimas estão cinco adolescentes, que tinham entre 12 e 13 anos.

O crime aconteceu em uma escola de Tumbler Ridge — uma cidade com população de cerca de 2,4 mil habitantes — e em uma residência próxima do colégio, onde moravam a mãe e o meio-irmão da atiradora, segundo a polícia. Eles foram mortos antes do ataque à escola.

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A suposta atiradora foi identificada pela polícia como Jesse van Rootselaar, 18 anos.

O corpo dela foi encontrado na escola, e acredita-se que ela tenha tirado a própria vida após cometer os assassinatos.

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Em coletiva nesta quarta-feira (11/2) o vice-comissionário da Polícia Montada Real Canadense da Colúmbia Britânica, Dwayne McDonald, disse que Jesse era uma mulher trans e iniciou seu processo de transição de gênero seis anos atrás.

Nos últimos anos, a polícia foi chamada diversas vezes à residência para lidar com questões de saúde mental de Jesse. Algumas dessas situações envolveram uso de arma.

Ainda, segundo McDonald, Jesse largou os estudos há quatro anos e não frequentava nenhuma escola desde então.

Questionado se ela teria sofrido algum tipo de bullying na escola, deviado à transição de gênero, McDonald disse que “não tinha informações que sugerissem que isso aconteceu”.

Ele acrescentou que a polícia “ainda não tem ideia” do motivo do ataque e que as vítimas teriam sido escolhidas de forma aleatória.

Mapa mostra a localização da escola, no oeste do Canadá.

Em nota, o Itamaraty afirmou que não há informações, até o momento, de brasileiros entre as vítimas.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse a jornalistas que este é um “dia difícil” para Tumbler Ridge e para o Canadá.

“Pais, avós, irmãos e irmãs em Tumbler Ridge acordarão sem alguém que amam”, disse Carney.

“A nação está de luto com vocês. O Canadá está ao seu lado.”

Carney agradeceu aos serviços de emergência e aos líderes mundiais que lhe manifestaram solidariedade, incluindo o rei Charles 3º, chefe de Estado do Canadá, que expressou seu profundo “choque e tristeza” pelo “ato insensato de brutal violência”.

O primeiro-ministro ordenou que as bandeiras em todos os prédios governamentais sejam hasteadas a meio mastro durante a próxima semana.

“Vamos superar isso”, continuou Carney.

“Mas agora é hora de nos unirmos, como os canadenses fazem nessas situações terríveis. Para nos apoiarmos mutuamente, para lamentarmos juntos e para crescermos juntos.”

Como o ataque se desenrolou?

Às 13h20, no horário local, a polícia recebeu uma denúncia de um atirador ativo em Tumbler Ridge.

Um aluno relatou ter ouvido um alarme ao chegar à sala de aula por volta das 13h30, no horário local, instruindo-o a fechar as portas devido a um lockdown.

A polícia chegou à escola em dois minutos, de acordo com a ministra da Segurança Pública e Procuradora-Geral da Colúmbia Britânica, Nina Krieger.

No local, seis vítimas foram mortas: uma professora de 39 anos e cinco estudantes, sendo três meninas de 12 anos, e dois meninos, um de 12 e outro de 13 anos.

A maioria das vítimas estava dentro da biblioteca, segundo a polícia. Elas não tiveram o nome divulgado pela polícia.

Duas armas de fogo — uma arma longa e uma pistola modificada — foram encontradas na escola.

Durante o ataque, um alerta para que os moradores permanecessem em casa foi enviado aos telefones da região pela Polícia Montada Real Canadense (RCMP), descrevendo a suspeita como uma “mulher de vestido e cabelos castanhos”.

O alerta foi oficialmente cancelado às 17h45, no horário local, após a polícia determinar que não havia outros suspeitos foragidos.

O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, afirmou que o o fato de os policiais terem chegado ao local em dois minutos após o chamado para os serviços de emergência pode ter salvado vidas.

A resposta rápida impediu que uma “tragédia devastadora fosse significativamente pior”, disse ele, observando que os policiais se colocaram em risco ao entrarem correndo na escola. “É um trabalho heroico, e sou muito grato”, disse Eby.

Já dentro da residência a polícia encontrou o corpo da mãe de Jesse, uma mulher de 39 anos, e do meio-irmão dela, um menino de 11 anos.

Segundo McDonald, a polícia foi acionada para ir até a residência depois do ataque na escola, por volta das 13h47, mas o crime aconteceu antes.

Uma pessoa da família teria ligado, informando que havia duas pessoas mortas no local.

Professor brasileiro protegeu estudantes

O brasileiro Jarbas Noronha é professor da escola canadense e relatou ao jornal The New York Times (NYT) como foram os momentos de pânico com sua turma do 12º ao proteger os 15 alunos que estavam com ele.

Noronha contou que um de seus alunos estava a caminho do estacionamento quando voltou e entrou na sala anunciando que havia escutado tiros. Minutos depois, o diretor da escola entrou na sala ordenando aos gritos que tudo fosse fechado e todos ficassem onde estavam.

O brasileiro contou ao NYT que ele e os estudantes trancaram a porta para o corredor da escola e os dois portões voltados para o lado de fora do prédio e usaram bancos de metal para fazer uma barricada.

“Estávamos na parte mais segura da escola. Se alguém tentasse entrar pela porta do corredor, correríamos para fora pelos portões”, disse ele o jornal americano.

O professor contou que ele e os alunos ficaram escondidos na oficina por mais de duas horas até que policiais bateram na porta e os levaram para o centro de recreações da escola.

Noronha dá aulas de mecânica e marcenaria alu há dois anos, quando se mudou do Brasil para a cidade canadense para morar com sua mulher, que já vivia ali.

“Essa é uma cidade que gosta de caça. Todo mundo tem armas aqui”, disse o brasileiro.

Em sua conta no Facebook, Noronha avisou que está bem: “Não desejo a nenhuma criança em idade escolar tenha que passar o que meus alunos passaram hoje. Ainda processando. Nossa sociedade está doente”.

‘Todos conhecemos as vítimas’

Embora os nomes das vítimas ainda não tenham sido revelados pelas autoridades canadenses, todos na cidade sabem quem elas são, afirmou o vereador Chris Norbury, que deu entrevista ao vivo para o programa Today da BBC Radio 4.

“Aqui, não trancamos as portas”, disse Norbury.

“É uma comunidade incrivelmente segura. Não precisamos nos preocupar com crimes aqui.”

Ele conta que foi até a escola secundária e viu os serviços de emergência bloqueando a entrada.

“Temos apenas três viaturas policiais na cidade, somos muito pequenos. Nos conhecemos, todos conhecemos as vítimas. São nossos amigos e filhos de nossos amigos.”

Norbury trabalhou por uma década como bibliotecário infantil. Sua mulher também é professora na Tumbler Ridge.

Ele disse ao programa The National, da CBC News: “Conheço essas crianças, vi elas crescer… Cantávamos juntos, líamos livros juntos… eu as via em todos os lugares.”

“E saber que não posso mais vê-las, que não as veremos mais, que suas famílias terão que conviver com essa perda irreparável… É quase insuportável”, continuou Norbury.

“Tenho medo pelo resto da nossa comunidade, que sente essa perda.”

Fachada da Escola Secundária Tumbler Ridge, local de um massacre a tiros em Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, no Canadá (Foto: Reprodução/BBC)

A escola

Uma página oficial na internet do distrito da Colúmbia Britânica sobre a escola secundária a descreve como uma instituição pública com 175 alunos matriculados da 7ª série (de 12 e 13 anos) até a 12ª série (de 17 e 18 anos).

A escola, portanto, recebe estudantes de um perfil equivalente tanto ao ensino fundamental quanto ao ensino médio no Brasil.

Tanto a escola alvo do ataque quanto outra na mesma região permanecerão fechadas durante o resto da semana. A polícia segue realizando buscas em residências próximas.

A posse de armas no Canadá

No Canadá, a posse de armas de fogo é amplamente regulamentada pelo governo federal, e as leis são mais rigorosas do que na maioria dos Estados Unidos.

No Canadá, elas devem ser mantidas trancadas e descarregadas. Qualquer pessoa que deseje comprar uma arma também está sujeita a extensas verificações de antecedentes criminais.

Desde 2022, ainda está em vigor um congelamento nacional da posse privada de todas as armas de fogo de cano curto.

Apesar disso, há um número considerável de pessoas em todo o país que possuem armas, principalmente em áreas rurais.

No passado, o Departamento de Justiça do Canadá relatou que a Colúmbia Britânica — onde está localizada a escola alvo do ataque — possui a maior taxa de posse de armas de fogo curtas do país.

Questionado na coletiva de imprensa se a atiradora tinha porte de arma, McDonald disse que ela possuía um porte que expirou em 2024 e “não tinha nenhuma arma de fogo registrada em seu nome”.

Ataques a tiros são comuns no Canadá?

Ataques a tiros são relativamente raros no Canadá e, segundo estatísticas recentes, a taxa de homicídios relacionados a armas de fogo é muito menor em comparação com os Estados Unidos.

Entre os ataques mais significativos até hoje, estão:

Dezembro de 1989, Montreal: Quatorze mulheres foram mortas em um ataque antifeminista cometido pelo atirador Marc Lepine na Polytechnique Montréal. Após o ataque, novas leis sobre o registro de posse de armas foram introduzidas, incluindo o fortalecimento da verificação de antecedentes e a limitação dos tipos de armas que poderiam ser licenciadas.

Dezembro de 2014, Edmonton: Um homem matou seis adultos — incluindo sua esposa — e duas crianças, antes de se suicidar em um ataque que a polícia classificou como “assassinato em massa sem sentido”.

Janeiro de 2017, Quebec: Um ataque ao Centro Cultural Islâmico da cidade de Quebec deixou 6 mortos e 19 feridos. O atirador Alexandre Bissonnette foi condenado à prisão perpétua.

Abril de 2020, Nova Escócia: O pior massacre da história do Canadá ocorreu quando um homem armado, disfarçado de policial, matou 22 pessoas em um período de dois dias. Posteriormente, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou a proibição de 1,5 mil tipos de armas de assalto. Desde então, a compra e venda de armas de fogo foi suspensa.

Fonte: BBC

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