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O Ministério do Meio Ambiente do Japão anunciou neste mês de maio que um total de 14.720 ursos foram capturados no país em 2025, o maior número desde que esses registros começaram a ser feitos, em 2006. Dos 14.720 ursos capturados, 14.601 — mais de 99% — foram mortos, diz o governo japonês.
Além do recorde no número de capturas e mortes de ursos, 2025 também teve a maior quantidade de avistamentos até hoje, com 50.776 ursos avistados, mais do que o dobro do recorde anterior, de 24.348, de 2023.
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Em abril, o ministério já havia adiantado que 238 pessoas foram atacadas no ano passado, resultando em 13 mortes. Ambos os números representam os piores já registrados, lembra o Japan News.
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A ameaça tornou-se tão grave no outono passado — época do ano em que os ursos saem em busca de mais comida para se prepararem para a hibernação do inverno — que o governo acionou os militares, enviando tropas para ajudar na captura de ursos na província de Akita, no norte do país, o epicentro dos ataques.
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Além disso, o governo japonês está instando as autoridades locais a utilizarem poderes de emergência que permitem aos caçadores abater ursos em meio ao aumento nos ataques. As autoridades também pedem que as pessoas descartem oalimentos corretamente e se mantenham afastadas dos habitats dos ursos.
A maioria dos incidentes recentes envolveu ursos-negros-asiáticos, que normalmente não são agressivos, lembrou em entrevista à Vox Hengjun Xiao, pesquisador ambiental da Universidade Keio. Então, o que pode explicar o que está acontecendo no Japão?
Um artigo publicado em março na revista científica Wiley e intitulado “Quando as anomalias climáticas devastam as florestas: a crise dos ursos em 2025 no Japão” foi atrás de respostas e oferece uma explicação convincente — e um alerta claro, revelando uma consequência inesperada das mudanças climáticas.
Ao analisar dados climáticos e de satélite, os pesquisadores descobriram que uma anomalia meteorológica ligada à crise do clima pode explicar o aumento de casos de ataques de ursos à humanos no país. Em sua análise, os cientistas sugerem que as mudanças climáticas estão enfraquecendo os ventos que trazem ar seco para o Japão e impedem a entrada de ar úmido do Pacífico, tornando o norte do país mais nublado. Com mais nuvens, menos luz chega às florestas, que não conseguem produzir brotos, nozes e outros alimentos essenciais para os ursos.

Essa queda na produtiIidade florestal no habitat natural dos ursos deixa esses animais famintos e propensos a invadir áreas rurais e até cidades em busca de alimento, diz o estudo, concluindo que algumas das consequências das mudanças climáticas são menos óbvias do que o aumento do nível do mar e a frequencia de furacões, por exemplo — e incluem sim um aumento nos conflitos entre humanos e animais selvagens.
Briana Abrahms, pesquisadora da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, que estuda as interações entre humanos e animais, argumenta que a crise japonesa é apenas um exemplo entre muitos. “Este caso no Japão é realmente indicativo de um padrão global mais amplo”, afirmou. Durante períodos de seca, por exemplo, elefantes invadem aldeias em busca de água. Incêndios florestais, por sua vez, fazem com que tigres se aproximem de assentamentos humanos. E ondas de calor marinhas podem alterar as migrações de baleias, aumentando o risco de colisões com embarcações.
Fonte: Um Só Planeta