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Existem regras, certificações e ajustes essenciais para comercializar produtos importados com marca própria no país
Com o aumento de empreendedores brasileiros que recorrem à China para produzir mercadorias com marca própria, cresce também a necessidade de entender o que é exigido para vender esses produtos legalmente no Brasil. Além da negociação de preço e frete, a importação envolve requisitos técnicos, certificações obrigatórias e adequação às normas de órgãos reguladores. Conhecer essas regras ajuda a evitar retenções na alfândega, multas ou a suspensão da comercialização.
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A importação da China exige atenção às adaptações necessárias em cada produto antes da venda no país. A legislação brasileira prevê normas específicas para diferentes categorias, como eletrônicos, brinquedos, cosméticos e alimentos, e o descumprimento dessas exigências pode gerar custos adicionais ou impedir a entrada no mercado. Planejamento prévio, verificação das certificações e análise das regras aplicáveis são etapas importantes para que a operação ocorra dentro das normas.
Requisitos legais e certificações obrigatórias
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No Brasil, diversos órgãos são responsáveis por fiscalizar e regulamentar produtos que entram no mercado. Entre eles, destacam-se o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cada tipo de produto possui requisitos que devem ser atendidos antes que ele possa ser vendido ao consumidor final.
Produtos eletroeletrônicos, por exemplo, geralmente exigem certificação do Inmetro para garantir que atendam padrões mínimos de segurança elétrica, eficiência energética e compatibilidade com a rede elétrica brasileira. Sem essa certificação, comercializar o item pode ser considerado infração, sujeita a penalidades. Da mesma forma, brinquedos destinados ao público infantil passam por uma série de testes que verificam riscos de asfixia, toxicidade de materiais, resistência mecânica e outros parâmetros.
No caso de produtos que tenham contato com o corpo humano, como cosméticos e itens de higiene, as exigências da Anvisa podem exigir notificação prévia ou registro, dependendo da finalidade e composição do item. Medicamentos, suplementos alimentares e produtos que alegam benefícios à saúde têm exigências ainda mais rígidas e, em muitos casos, processos de aprovação longos.
Além dessas obrigações, artigos como equipamentos de proteção individual (EPI), componentes automotivos e produtos destinados ao uso profissional em áreas regulamentadas (como construção e saúde) também devem atender normas específicas. Ignorar essas regras pode resultar em produtos apreendidos na alfândega ou impedidos de sair do porto ou aeroporto.
Adaptações no produto e na embalagem
Mudar a origem de produção para a China e personalizar um produto com marca própria envolve mais do que simplesmente gravar um logotipo. É comum que importadores tenham de realizar ajustes no próprio projeto do produto para atender às especificações brasileiras. Isso pode incluir a alteração de voltagem de equipamentos elétricos para os 127 V ou 220 V utilizados no país, a inclusão de dispositivos de segurança adicionais e a substituição de componentes que não atendam aos padrões locais.
A embalagem também é uma área de atenção. No Brasil, é obrigatório que determinadas informações estejam legíveis em português, tais como instruções de uso, composição, advertências de segurança, prazo de validade e dados do importador responsável. Esse conjunto de dados faz parte do que se chama de rotulagem e tem como objetivo garantir que o consumidor tenha acesso a informações claras e compreensíveis no momento da compra.
Além disso, embalagens devem conter o número do lote ou série e, em muitos casos, a indicação de conformidade com órgãos regulamentadores, como o selo do Inmetro. Para itens alimentícios importados, a rotulagem segue regras específicas quanto à tabela nutricional e lista de ingredientes, que devem seguir as normas vigentes.
Logística, desembaraço aduaneiro e custos adicionais
O processo de importação não termina na produção ou no embarque do produto. Ao chegar ao Brasil, a mercadoria precisa passar pelo desembaraço aduaneiro, uma etapa em que a Receita Federal analisa documentos como fatura comercial, conhecimento de embarque e comprovantes de pagamento de tributos. A falta de documentação adequada ou inconsistências nas informações podem resultar em retenção da carga ou multas.
Alguns produtos suscetíveis a restrições, como itens de uso médico ou eletrônico, podem ser submetidos a inspeções adicionais por órgãos como Anvisa ou Inmetro, o que pode estender o tempo de liberação. Importadores inteligentes pré-avaliam quais exigências se aplicam a cada categoria e preparam a documentação necessária antes da chegada da carga, reduzindo o risco de surpresas.
Os custos envolvidos vão além do valor pago ao fornecedor e do frete internacional. Impostos de importação, ICMS estadual, PIS, Cofins e taxas portuárias ou aeroportuárias elevam o custo final do produto. Para vendedores que trabalham com margem enxuta, é essencial incluir esses custos na precificação, evitando preços incompatíveis com o mercado ou prejuízos.
Preparação para a comercialização no mercado interno
Uma vez liberados pela alfândega e adaptados às regras brasileiras, os produtos estão prontos para serem comercializados. Para muitos empreendedores, plataformas digitais e marketplaces são canais preferenciais de venda. Porém, antes de lançar um produto no mercado, é recomendável consultar um contador ou especialista em comércio exterior para assegurar que todas as exigências fiscais e operacionais tenham sido cumpridas.
O Brasil possui um conjunto extenso de normas que regem a entrada e circulação de produtos no mercado interno. A capacidade de compreender e atender a essas exigências pode ser o que diferencia um negócio sustentável de uma operação que enfrenta constantes entraves burocráticos.
Importar da China com marca própria é uma oportunidade que muitos empreendedores exploram para expandir ofertas e reduzir custos de produção. No entanto, o sucesso nessa empreitada depende tanto da capacidade de negociar com fornecedores quanto de se preparar para os requisitos legais que regem a operação no Brasil.
Com planejamento, conhecimento das exigências regulatórias e atenção aos detalhes do produto e da documentação, é possível transformar a intenção de vender em um negócio legítimo e competitivo no mercado brasileiro.