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Nesta semana, o Zoológico do Bronx, em Nova York, nos Estados Unidos, sacrificou a elefanta Happy. Segundo o zoo, ela apresentava sinais de declínio nas funções renal e hepática e uma necropsia revelou que o animal sofria de artrite e tinha tumores uterinos inoperáveis, impossíveis de diagnosticar em elefantes com exames. Segundo comunicado, a decisão foi tomada após “um período de cuidados paliativos durante o qual a equipe veterinária e de cuidados com animais lidou com as condições de saúde progressivas e relacionadas à idade de Happy”.
Happy, de 55 anos, era um dos animais mais conhecidos de sua espécie, porque, em 2005, ela demonstrou que os elefantes conseguem se reconhecer em um espelho — um sinal de autoconsciência observado em apenas algumas outras espécies. Durante o experimento, Happy ficou de frente para seu reflexo e usou repetidamente sua tromba para tocar um “X” pintado acima do olho, uma marca que ela só conseguia ver no espelho.
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Nascida na Ásia, Happy foi trazida para os Estados Unidos com apenas um ano de idade, nos anos 1970, e passou por outros lugares antes de ir morar no zoológico novaiorquino. “Ela era uma elefanta maravilhosa. Ela foi uma tremenda embaixadora para os elefantes e para a conservação desses animais”, afirmou à AP o diretor interino do zoológico, Craig Piper.
No comunicado oficial, o zoo afirma que Happy faleceu em paz, “cercada por seus tratadores, curadores e veterinários que cuidaram dela; alguns por mais de 30 anos”.
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Histórico na Justiça
Em 2018, no entanto, Happy ganhou os holofotes por outros motivos para além da Ciência, quando um grupo de direitos dos animais entrou com uma ação judicial para libertá-la do zoológico, argumentando – no primeiro caso desse tipo envolvendo uma elefanta – que ela merecia os direitos de personalidade e liberdade e deveria ser transferida para um santuário.
Os responsáveis pelo zoológico se opuseram à ideia, alegando que Happy estava recebendo bons cuidados e que a transferência seria prejudicial à vida do animal. O tribunal superior de Nova York acabou concordando com esta tese e rejeitou a reivindicação dos ativistas por 5 votos a 2, relata o The Guardian.
Na época, o juiz Rowan D. Wilson afirmou em um longo voto dissidente que ele e seus colegas tinham o dever de “reconhecer o direito de Happy de peticionar por sua liberdade não apenas porque ela é um animal selvagem que não deveria ser enjaulado e exibido, mas porque os direitos que conferimos aos outros definem quem somos como sociedade”, lembra o New York Times.
Os elefantes são criaturas altamente sociais. Em seus habitats naturais, vagam em manadas; comunicam-se uns com os outros por meio de grunhidos de baixa frequência e da leve inclinação de seus corpos; e exibem comportamentos de luto quando um de seus membros morre.
A expectativa de vida média para elefantes asiáticos em zoológicos dos EUA é de cerca de 45 anos. Desde a morte de Happy, Patty, de 57 anos, é a última elefanta em exibição no zoológico de Nova York. A instituição responsável pelo local, a Wildlife Conservation Society, decidiu há 20 anos parar de adquirir paquidermes.

Fonte: Um Só Planeta