24 de junho, 2024

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Guerra na Ucrânia faz águias mudarem rota de migração

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As águias-malhadas voam pela Ucrânia toda primavera, a caminho de locais de reprodução na Bielo-Rússia. Porém, por conta da guerra que assola o país, as aves mudaram as suas rotas de migração, apontam pesquisadores da Universidade de Ciências da Vida, da Estônia, e do British Trust for Ornithology, do Reino Unido.

Em artigo publicado na revista científica Current Biology, eles explicaram que essa mudança ocorreu para que elas fugissem de perigos e, também, porque os seus habitats foram provavelmente danificados ou destruídos pelo conflito, que já dura mais de dois anos.

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A equipe envolvida no trabalho começou a seguir as águas-malhadas usando dispositivos de rastreamento GPS em 2017. Em análise feita em março e abril de 2022, logo após a invasão, com 19 animais, o que se descobriu foi que eles fizeram grandes desvios de rotas, migraram mais lentamente e fizeram menos escalas em seus locais habituais de reabastecimento na Ucrânia ou os evitaram totalmente do que nos anos anteriores. A estimativa é de que, para evitar as áreas de guerra, tenham viajado cerca de 85 km extras em média.

“A guerra na Ucrânia teve um impacto devastador nas pessoas e no ambiente. Nossas descobertas fornecem uma rara janela sobre como os conflitos afetam a vida selvagem”, disse o autor principal Charlie Russell, pesquisador de pós-graduação na Universidade de East Anglia, à BBC.

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Com a mudança na rota, as águias chegaram mais tarde aos locais de reprodução e provavelmente tiveram que usar mais energia, com possíveis efeitos prejudiciais à sua saúde e à procriação.

Não está claro ainda a quais estímulos a espécie respondeu, mas os pesquisadores apontam que o novo comportamento pode ter sido desencadeado por componentes visuais ou auditivos de atividades militares até tráfego, ruído ou luz.

“A história que levamos para casa é que o conflito na Ucrânia está perturbando fundamentalmente a ecologia migratória desta espécie”, observou Jim Reynolds, professor assistente de Ornitologia e Conservação Animal na Universidade de Birmingham, que não esteve envolvido no estudo. “Para uma espécie vulnerável como esta, qualquer coisa que atrapalhe o seu desempenho reprodutivo é um grande problema.”

Fonte: Um Só Planeta

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