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Pesquisadores do Instituto Oceanográfico de Woods Hole (WHOI, na sigla em inglês) encontraram o que é considerado o registro sonoro mais antigo já feito de uma baleia-jubarte. A gravação foi capturada em 7 de março de 1949, próximo às Bermudas, durante uma expedição científica no Atlântico Norte — e permaneceu esquecida por décadas nos arquivos da instituição.
O som foi registrado a bordo do navio de pesquisa R/V Atlantis, com equipamentos experimentais de gravação subaquática conectados a um ditafone, tecnologia rudimentar para a época. As informações foram publicadas na Revista Galileu.
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O áudio ficou armazenado em um disco plástico fino e só recentemente foi redescoberto pelos cientistas.

De acordo com a bioacústica marinha Laela Sayigh, pesquisadora sênior do WHOI, registros desse período são extremamente raros.
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“Na maioria dos casos, simplesmente não existem dados desse período. O oceano está muito mais barulhento agora, com aumentos tanto no número quanto nos tipos de fontes sonoras”.
De acordo com a pesquisadora, o material pode servir como referência histórica para comparar como os cantos das baleias-jubarte mudaram ao longo das décadas e medir o impacto crescente da atividade humana no ambiente marinho.
Na época da gravação, as populações de jubartes do Atlântico Norte estavam reduzidas pela caça comercial. Estimativas indicam que, em 1955, restavam menos de mil indivíduos na região. Desde então, programas de conservação permitiram a recuperação parcial da espécie, embora ameaças como o tráfego marítimo e a poluição sonora continuem afetando a comunicação entre os animais.
Hoje, o monitoramento acústico do oceano utiliza hidrofones, boias inteligentes, planadores submarinos e robôs autônomos capazes de detectar baleias em tempo real. Essas tecnologias ajudam cientistas a acompanhar populações marinhas e compreender como ruídos industriais e de embarcações interferem em sons usados para navegação, reprodução e interação social.
“As gravações subaquáticas são uma ferramenta poderosa para compreender e proteger populações vulneráveis de baleias”, afirmou o bioacústico marinho Peter Tyack, pesquisador emérito do WHOI.
Fonte: Um Só Planeta