Governo dos EUA divulgam números do arsenal nuclear pela primeira vez desde 2017

Pela primeira vez em quatro anos, o governo dos EUA divulgou a quantidade de ogivas nucleares operacionais ou armazenadas pelo país, uma informação que havia sido colocada em sigilo pelo ex-presidente Donald Trump.

Em comunicado, o Departamento de Estado revelou que os EUA tinham, em setembro de 2020, 3.750 ogivas, redução de 88% em relação ao maior número de armas nucleares mantidas pelo país, em 1967, quando havia 31.255 ogivas, e de 83% em relação ao arsenal em 1989, ano da queda do Muro de Berlim, quando os americanos tinham 22.217 ogivas.

O Departamento de Estado ainda revela que, entre 1994 e 2020, os EUA desmontaram 11.683 ogivas nucleares, sendo que 711 entre 2017 e 2020. Outras duas mil foram retiradas do arsenal e serão desmanteladas em breve. A maior parte dessas reduções ocorreu no marco de acordos de desarmamento assinados com a Rússia.

“Aumentar a transparência dos arsenais nucleares dos Estados é importante para os esforços de não proliferação e desarmamento, incluindo os compromissos sob o Tratado de Não Proliferação, além dos esforços para monitorar todos os tipos de armas nucleares, incluindo operacionais e não operacionais, estratégicas e não estratégicas”, diz o comunicado.

Os números confirmam estimativas feitas por organizações como a Associação de Controle de Armas, que apontavam um arsenal de 5,8 mil ogivas — operacionais, armazenadas e aguardando desmantelamento — mantidas hoje pelos EUA. Segundo o último levantamento, de agosto de 2020, a Rússia possui cerca de 6.375 ogivas, maior arsenal do planeta.

As demais nações com capacidade nuclear, declarada oficialmente ou não, são Reino Unido, França, China, Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte, sendo que os quatro últimos não fazem parte do Tratado de Não Proliferação.

A decisão de revelar os números do arsenal nuclear dos EUA, derrubando a censura imposta por Trump em 2017, se insere em uma estratégia do presidente Joe Biden de retomar as conversas com a Rússia sobre acordos de controle de armamentos, nucleares e convencionais.

Ao longo dos quatro anos de mandato de Trump, os EUA abandonaram uma série de tratados de segurança coletiva. A começar pelo Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermediário, em vigor desde 1988, que bania mísseis com capacidade de levar ogivas atômicas com alcance entre 500km e 5.500km. Na época, Washington alegou que os russos estavam descumprindo os termos do texto.

Na decisão mais criticada, o ex-presidente por pouco não deixou expirar o último acordo de controle de armas nucleares ainda em vigor, o Novo Start, assinado entre Moscou e Washington em 2010, que limitava o número de ogivas operacionais em 1.550. Trump queria que a China, que tem cerca de 320 ogivas, também se submetesse aos termos de um novo acordo, algo prontamente rejeitado por Pequim.

Diante do impasse, o governo Trump negligenciou as conversas, apostando em uma vitória nas eleições presidenciais de 2020, mas com a derrota nas urnas e a chegada de Joe Biden ao poder, a Casa Branca se prontificou a buscar uma extensão por cinco anos do acordo, um período que será usado para negociar um novo tratado.

Na semana passada, diplomatas russos e americanos realizaram reuniões a portas fechadas em Genebra, para firmar as primeiras bases do texto que sucederá o Novo Start, além de novos mecanismos de controle sobre armas convencionais. De acordo com um diplomata dos EUA, ouvido pela AFP, as primeiras conversas foram “produtivas”.

Fonte: G1

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