Funcionários do porto de Beirute são detidos por explosão que matou 157 pessoas

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Ao menos 16 funcionários do porto de Beirute e autoridades alfandegárias foram detidos no âmbito da investigação sobre as explosões de terça-feira de um depósito com toneladas de nitrato de amônio, informou nesta quinta-feira (6) um promotor militar.

São funcionários “do conselho de administração do porto de Beirute e da administração de alfândegas e encarregados de trabalhos de manutenção e (operários) que realizaram trabalhos no armazém” onde era guardado o nitrato de amônio, informou o promotor militar Fadi Akiki em um comunicado.

As autoridades portuárias, os serviços de alfândega e alguns serviços de segurança eram conscientes de que ali eram armazenadas substâncias químicas perigosas, mas se responsabilizam mutuamente.

Em junho de 2019, foi feita uma investigação após queixas reiteradas sobre o mau cheiro que emanava do armazém e determinou-se que havia “materiais perigosos que deviam ser transferidos” e que as paredes do armazém estavam danificadas.

A direção do porto, que estava a par da periculosidade dos materiais, enviou há alguns dias os operários para fechar as brechas do armazém. Estas obras, segundo as fontes de segurança, teriam sido a origem da tragédia.

O Banco Central libanês também ordenou o congelamento das contas dos chefes do porto e da alfândega.

Na quarta-feira (5), responsáveis pela autoridade portuária desde 2014 já haviam sido colocados em prisão domiciliar. Moradores de Beirute acusam o governo de corrupção, negligência e má gestão, de acordo com a BBC.

Nesta quinta, o ministério da Saúde do Líbano atualizou o balanço de vítimas: 157 pessoas morreram e mais de 5 mil ficaram feridas. Dezenas seguem desaparecidas, de acordo com o porta-voz Rida Moussaoui.

A tragédia de terça-feira (4), provocada segundo as autoridades por um incêndio em um depósito que armazenava uma grande quantidade de nitrato de amônio no porto da capital libanesa, deixou quase 300 mil desabrigados, segundo o governador de Beirute, Marwan Aboud.

O material com potencial explosivo estava armazenado há seis anos sem a segurança necessária.

Nesta quinta, as escavadeiras do exército abriam estradas para ter acesso ao porto destruído. O país está sob estado de emergência.

Nitrato de amônio

O nitrato de amônio se apresenta como um pó branco ou em grânulos solúveis em água e é seguro – desde que não aquecido. A partir de 210 °C, decompõe-se e, se a temperatura aumentar para além de 290 °C, a reação pode tornar-se explosiva.

Um incêndio, tubos superaquecidos, fiação defeituosa ou relâmpagos podem ser suficientes para desencadear tal reação em cadeia.

Apoio Internacional

União Europeia, Rússia, Tunísia, Turquia, Irã e Catar estão enviando suprimentos de emergência. A França enviou para Beirute equipes especializada em buscas. O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou nesta quinta o local da explosão.

O Líbano, que já enfrentava uma grave crise econômica, precisará de apoio internacional. A estimativa inicial do governo de que é que a tragédia causou danos de US$ 3 bilhões (R$ 15,9 bilhões) a US$ 5 bilhões (R$ 26,5 bilhões). O Banco Mundial se pronunciou e disse que está aberto aos parceiros do Líbano para mobilizar apoio financeiro para a reconstrução.

Fonte: G1

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