Fevereiro foi o mês mais letal da Covid-19 em Botucatu

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Fevereiro encerrou com 24 mortes por causa da Covid-19, tornando-se assim o mês mais letal de toda a pandemia, que teve início há um ano.  Em 1º de fevereiro foram registradas 79 mortes, encerrando o mês com 103, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde.

A média registrada nos últimos 28 dias foi de 1,66 vítima por dia, superior ao registrado em janeiro, quando ocorreram 21 óbitos. Naquele período o panorama apresentou 0,66 fatalidades por dia.

Conforme dados oficiais do governo do estado, por meio do Boletim Epidemiológico oficial obtido através de dados das Secretarias de Estado e municipal da Saúde, das 104 mortes ocorridas em Botucatu, 54% foram em homens e 46% representam as mulheres como vítimas.

No geral, a taxa de letalidade em Botucatu é de 1,3%, sendo 1,1% entre o público feminino e de 1,6% no masculino. Este índice é definido como a proporção do número de óbitos decorrentes de uma doença e o número de enfermos da mesma, calculada ao longo de um período de tempo determinado. Na média estadual, de 2,9%, a letalidade é de 2,3% entre as mulheres e de 3,6% com os homens. Mesmo com a alta no número de mortes, os índices registrados em Botucatu são menores do que os do estado.

As mortes em fevereiro mostram a aceleração da pandemia no município. O total de casos também apresentou elevação acima dos demais meses, partindo de 6.414 casos em 1º de fevereiro para 7.889 no dia 28, acréscimo de 1.445 pessoas infectadas com o vírus SARS-Cov2.

Desde o início da pandemia, os óbitos foram mais prevalentes em pessoas de 70 a 79 anos (33,7%), 80 a 89 anos (20,2%), 60 a 69 anos (19,2%) e  de 40 a 49 anos (11,5%).  No entanto, as taxas de letalidade são maiores nas pessoas acima de 90 anos (27,8%), seguidas por 80 a 89 anos (14%), 70 a 79 anos (11,3%) e de 60 a 69 anos (3,4%).

Os meses com menores índices de mortes em Botucatu foram novembro e abril- início dos registros de óbitos-, com dois casos, respectivamente. Nos demais meses, os números registrados foram: janeiro (21), dezembro (5), outubro (7), setembro (11), agosto (6), julho (11), junho (8) e maio (3).

Segundo o médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Botucatu, Alexandre Naime Barbosa, Botucatu segue a tendência brasileira na aceleração dos óbitos decorrentes da Covid-19, onde os números de casos registrados causam preocupação às autoridades. “Não é uma segunda onda, é um tsunami quanto ao número de casos e de óbitos. São quatro questões que desencadeiam este cenário, como a falta de colaboração da população para a prevenção, como o simples uso de máscaras, higiene das mãos e se evitar aglomerações. Segundo ponto é quanto a vacinação, em ritmo lento, o que faz com que a transmissão continue alta”, salienta o infectologista.

Naime ressalta que outros aspectos influenciam para o aumento da pandemia como a nova variante da Covid-19, denominada de P1, que é até dez vezes mais transmissível que o vírus original. “Outro fator que se tem a analisar são os casos de reinfecção em alguns pacientes. Somando todos esses pontos, de cenário nacional, é possível ter um panorama do que ocorre em Botucatu”, ressalta.

O médico reforça que o perfil das vítimas também tem apresentado mudanças. Ainda sendo mais letal em pessoas acima de 60 anos, há casos de botucatuenses que foram vítimas no último mês, cujas idades variam entre os 40 e 50 anos. Houve óbitos em pessoas com 38 anos, por exemplo. “Realmente há uma faixa etária abaixo de 55 anos predominando, onde a doença está em uma aceleração mais rápida para evolução de formas graves de infecção, fazendo com que estes pacientes dependam mais cedo de cuidados hospitalares e UTI. Isso justo por aumento dos casos, que atinge pessoas mais suscetíveis. Há análises de que a variante P1 tenha carga viral muito maior e que a ciência tem analisado”, explica Naime.

No entanto, o médico reforça que não há perspectivas de redução no número de óbitos em um curto espaço de tempo sem a aceleração da vacinação e do contínuo cuidado e prevenção da população. Em um segundo patamar, a saturação dos sistemas de saúde também podem facilitar o avanço das mortes, principalmente no interior paulista.

“Só quem tem bola de cristal pode prever o número de mortos e a devastação que a covid-19 pode trazer a Botucatu. Já temos mais de cem óbitos e, no ritmo que está, essa quantidade pode dobrar em poucos meses. Mas é uma suposição. Sabemos que se tais fatores: velocidade de transmissão, falta de colaboração da população e o ritmo lento da vacinação não forem mudados, infelizmente o ritmo de óbitos é igual. Infelizmente não temos visto perspectivas positivas de colaboração ou mesmo de aumentar a velocidade de vacinação. Talvez o cenário não mude nos próximos meses”, conclui Barbosa.

A evolução das mortes em Botucatu, por mês:

28/02- 103 mortes

1º/02- 79 mortes

31/01- 79 mortes

1º/01- 58 mortes

31/12- 58 mortes

1º/12- 53 mortes

30/11- 53 mortes

1º/11- 51 mortes

31/10- 50 mortes

1º/10- 43 mortes

30/09- 43 mortes

1º/09- 32 mortes

31/08- 32 mortes

1º/08- 26 mortes

31/07- 26 mortes

1º/07- 15 mortes

30/06- 15 mortes

1º/06- 7 mortes

31/05- 7 mortes

1º/05- 4 mortes

30/04- 4 mortes

Primeira morte em Botucatu ocorreu dia 7 de abril de 2020

Por Flávio Fogueral

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