Familiares ainda esperam por justiça 28 anos após ataque à AMIA na Argentina

Centenas de pessoas da comunidade judaica da Argentina voltaram a pedir nesta segunda-feira (18) o esclarecimento do atentado que em 1994 destruiu o centro AMIA. A manifestação foi em frente à sede reconstruída, onde fotografias dos 85 mortos foram exibidas.

“Como explicar que em 28 anos não foi possível prender sequer um dos muitos responsáveis por tamanha atrocidade?”, afirmou o principal orador do ato, o presidente da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), Amos Linetzky.

A Justiça argentina determinou que os principais suspeitos do ataque foram os governantes iranianos na época, entre eles, o ex-presidente iraniano Ali Rafsanjani. O ataque também deixou cerca de 300 feridos.

“Os canalhas, miseráveis e assassinos seguem desfrutando de sua vida diária, passeando pelo mundo com total liberdade”, lamentou Linetzky.

A cerimônia foi realizada presencialmente pela primeira vez desde o início da pandemia de covid-19.

A sirene de homenagem soou às 09h53 locais, hora exata da explosão que derrubou o prédio de oito andares no bairro de Once, tradicional da numerosa comunidade judia de Buenos Aires.

Todos os anos a Argentina pede à Assembleia Geral das Nações Unidas que Teerã aceite que os acusados possam ser interrogados por juízes argentinos. A Interpol acionou alertas vermelhos de captura sobre os iranianos.

Linetzky sustentou que a atuação judicial “é ineficiente, lenta e inútil”. Durante a cerimônia, decorada com velas e flores, uma locutora leu os nomes das 85 vítimas fatais.

Não há detidos relacionados ao caso e também não foram esclarecidos os motivos do atentado.

Em 1992, outro ataque terrorista destruiu a embaixada de Israel em Buenos Aires, deixando 29 mortos e 200 feridos. Também permanece impune.

Um julgamento sobre o atentado à AMIA terminou em  2019 com penas leves para funcionários judiciais e do governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), declarados culpados de “encobrir” o atentado, mas sem determinar a razão do ocultamento de provas e o desvio das investigações.

Com cerca de 300 mil pessoas, a comunidade judaica da Argentina é a mais numerosa da América Latina.

Fonte: Yahoo!