Faculdade de Medicina de Botucatu estuda 26 países e investiga os impactos psicológicos da COVID-19

Uma pesquisa em desenvolvimento por cientistas de 26 países pretende investigar os impactos psicológicos que a pandemia da COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus) está causando nos profissionais da saúde e na população em geral. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) integra o consórcio de universidades do projeto.

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Os resultados podem colaborar na definição de medidas que melhorem o bem-estar emocional e o ajuste psicológico da população durante situações de crise, como a atual. A participação brasileira é coordenada pela Unesp, sob responsabilidade do professor Adriano Dias, da Faculdade de Medicina de Botucatu.

Até agora, a equipe conseguiu pouco menos de duas mil respostas ao questionário. A meta é ter pelo menos dez mil. O questionário, que pode ser respondido por qualquer pessoa, desde que acima dos 18 anos, está disponível em: https://cutt.ly/IMPACT_COVID-19_BRASIL.

Profissionais de saúde

O docente do Departamento de Saúde Pública no campus de Botucatu explica que a pesquisa envolverá a população em geral, mas que haverá um recorte específico para profissionais da saúde.

“No caso desses profissionais, a pesquisa tem por objetivo avaliar o papel do nível de envolvimento e de comprometimento com o trabalho como um possível fator mediador do impacto psicológico dessa situação na crise. Ou seja, o trabalho pode agir de maneira a atenuar o efeito ou a comprometer as características psicológicas dessas populações”, salienta ao Portal da Unesp.

Os pesquisadores envolvidos com o projeto argumentam que ao vivenciarem medo intenso e prolongado, situações de enorme estresse e muitas vezes estigmatização, profissionais de saúde e a população em geral podem sofrer uma deterioração de sua saúde mental durante epidemias. Tal situação inclusive foi identificada em epidemias anteriores, como a SARS ou o Ebola.

Colaboração

O Brasil, por meio da Unesp, foi o segundo país a ingressar no grupo de colaboradores para a pesquisa, que foi idealizada na Espanha pelas Universidade de Huelva e Universidad Loyola Andalucia. Atualmente, as nações envolvidas no levantamento estão em várias etapas do processo.

Em comum está o fato de que todos os participantes aplicarão o mesmo questionário em suas populações, e o número de países ainda pode crescer à medida que mais pesquisadores se interessem pelo tema.

“A pesquisa certamente ajudará a entender e estabelecer as indicações mais adequadas para proteger e facilitar a recuperação do bem estar psicológico dessas pessoas”, explica o professor, que prevê a conclusão global da pesquisa para o segundo semestre de 2021, mas que resultados locais podem sair antes, dependendo do número e rapidez das respostas aos questionários.

O professor aponta que na China, onde começou a epidemia, os primeiros estudos apontam para a necessidade de proteger a saúde mental de profissionais da saúde e da população em geral. “De maneira geral, foram observados impactos importantes na saúde mental dessas pessoas, especialmente na questão da ansiedade”, destaca.

Participam do projeto de pesquisa até o momento Espanha, Brasil, Portugal, Itália, México, El Salvador, Equador, Colômbia, Peru, Paraguai, Argentina, Chile, Cabo Verde, Angola, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Cuba, Venezuela, Bolívia, Panamá, Nicarágua, Costa Rica e Porto Rico.

Com Governo do Estado de SP