10 de junho, 2026

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Expedição à Antártica impulsiona pesquisa sobre possível tratamento de câncer de pele a partir de bactérias

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Nas águas geladas da Antártida, um pequeno organismo pode conter pistas para um futuro tratamento contra o câncer de pele. Pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, retornaram à região este ano, em uma expedição de seis semanas, para aprofundar os estudos sobre uma espécie de ascídia, um tipo de animal invertebrado marinho que contém uma bactéria capaz de matar células cancerígenas do melanoma.

A potencial de uso médico dessa bactéria foi descoberto há 20 anos pelo professor de química da USF, Bill Baker, que agora está novamente liderando os esforços para entender melhor o composto produzido por ela e explorar se ele poderá, um dia, contribuir para novas terapias para pacientes que lutam contra a doença.

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“Mais da metade dos medicamentos aprovados pelo Food and Drug Administration (a principal agência federal do Departamento de Saúde dos Estados Unidos) têm origem em fontes naturais. Descobrimos que essa ascídia produz uma bactéria que contém um composto tóxico capaz de matar células cancerígenas do melanoma sem prejudicar as células humanas normais. Essa seletividade é crucial no desenvolvimento de medicamentos, pois o objetivo é tratar a doença sem prejudicar o paciente”, afirmou Baker ao portal científico Phys.

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O laboratório comandado por Baker tem se concentrado especificamente em invertebrados marinhos porque muitos deles dependem de defesas químicas para sobreviver no ambiente hostil do oceano, produzindo compostos que podem repelir predadores e doenças. Já a região estudada foi escolhida por ser um ecossistema único que esteve isolado geográfica e ambientalmente durante milhões de anos do resto do mundo.

“Como resultado, as espécies na Antártida tiveram tempo para evoluir independentemente, levando a organismos altamente especializados. As ascídias que estudamos são adaptadas especificamente a esse ambiente e não são encontradas em nenhum outro lugar”, disse Baker.

Pesquisador coleta ascídias na Antártica (Foto: Universidade do Sul da Flórida)

A expedição de 2026 teve como foco determinar onde a bactéria presente nas ascídias ocorre e qual a sua distribuição geográfica, além de entender como ela vive dentro do organismo e como isso se conecta aos compostos relacionados à pesquisa sobre melanoma. As descobertas podem ajudar os pesquisadores a determinar como os compostos são produzidos naturalmente e se eles podem, eventualmente, ser utilizados em aplicações médicas.

De volta à terra firme, a pesquisa entra agora em sua fase mais crítica. Divididas entre várias equipes, as amostras coletadas passam por uma série de análises, como DNA, química e avaliações biológicas. Esse processo pode levar de meses a anos, mas é essencial para tranformar descobertas iniciais em avanços científicos significativos, particularmente em áreas como a pesquisa do câncer, onde são necessárias diversas especializações.

Fonte: Um Só Planeta

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