Exército envia tropas para comunidade alvo de confrontos na Terra Indígena Yanomami

O Exército Brasileiro informou que enviou na tarde desta quarta-feira (12) uma equipe à comunidade Palimiú, alvo de confrontos na Terra Indígena Yanomami, em Alto Alegre, ao Norte de Roraima.

De acordo com o Exército, a equipe foi enviada “dada a gravidade do cenário” e deve prestar apoio logístico e segurança na região. Polícia Federal (PF) disse que não retornou à comunidade por falta de aeronave.

Os militares saíram de Boa Vista por volta de 11h20 e chegaram em Palimiú cerca de 13h. Por questões de segurança, não foi informado a quantidade de agentes enviados, nem quanto tempo devem passar no local.

“O que será feito adiante vai ser determinado de acordo com as informações do pessoal que está lá na posição. Com essas informações, vamos determinar quais serão as ações que iremos executar. Agora, no nosso planejamento, vamos prestar suporte logístico e segurança”, informou o Exército.

Ainda na tarde desta quarta, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) enviou um ofício ao Exército solicitando apoio logístico e a instalação de um posto emergencial na comunidade Palimiú.

Conforme a HAY, a “ausência das forças de segurança em caráter permanente no rio Uraricoera deixa as comunidades vulneráveis a novos ataques e retaliações, arriscando uma escalada que tome caráter de verdadeiro genocídio”.

A Hutukara também enviou um documento ao Ministério Público Federal (MPF), à Fundação Nacional do Índio (Funai) e à Polícia Federal (PF) pedindo uma ação por parte dos órgãos, após a situação entre indígenas e garimpeiros se agravar “diante da inércia da União, de seus órgãos e autarquias”.

Também nesta quarta, o MPF ingressou na Justiça com pedido de liminar para que a União enviasse, imediatamente, tropa policial ou militar à comunidade indígena Palimiú. O pedido exige permanência policial ininterrupta, 24 horas por dia, na região.

Confrontos em Palimiú

A comunidade fica às margens do rio Uraricorera, onde garimpeiros exploram o ouro ilegalmente. Na segunda-feira (10), um conflito armado na região resultou na morte de três garimpeiros e cinco feridos, além de um indígena baleado de raspão na cabeça. Um vídeo compartilhado pela HAY mostrou o momento em que tiros foram disparados.

A informação dos óbitos foi repassada ao Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-Y) pelos indígenas da região, mas a PF não confirma as mortes.

Na terça (11), garimpeiros atiraram contra policiais federais que estavam no local para levantar informações sobre o conflito. O tiroteio durou cerca de cinco minutos. Segundo a PF, não houve feridos.

Os conflitos acirraram a tensão na região e ocorrem porque indígenas montaram uma barreira sanitária no rio Uraricoera e têm retido materiais de invasores que seriam levados à garimpos ilegais, de acordo com a Hutukara e com o líder indígena e presidente do Condisi-Y, Júnior Hekurari Yanomami.

“Eles são muitos e estão fortemente armados. A comunidade pediu que as forças policiais ficassem na comunidade pois a qualquer momento eles vão retornar. Corremos o risco de sofrer um massacre”, afirmou, acrescentando ter ficado com “muito medo” pois parecia “cena de filme” o confronto com a PF.

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas. Cerca de 27 mil indígenas vivem na região, alvo de garimpeiros que invadem a terra em busca da extração ilegal de ouro.

O território também contém a referência confirmada de um povo indígena isolado, além de seis outras reportadas em estudo, segundo a Funai.

Fonte: G1 – Foto: Divulgação/Polícia Federal

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