Ex-interno da Fundação Casa de Botucatu troca o tráfico pelo Grêmio e faz parte do elenco profissional

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“Fiz a minha mãe chorar muitas vezes por tristeza. Agora, ela vai chorar de felicidade.” A frase de Jadson Ailton resume a mudança drástica na vida do garoto, de 18 anos. Ex-interno da Fundação Casa, agora ele vive o sonho de virar jogador de futebol.

Por duas vezes, Negão, como é chamado, foi internado na unidade de Botucatu da antiga Febem. Ambas por tráfico de drogas, aos 14 e aos 16 anos. Nascido em São Manuel, passou cerca de dois anos confinado no local.

Em um campeonato interno de futebol entre as unidades, o talento do atacante sobressaiu. Marcou incríveis 56 gols em oito jogos, média de sete por partida. Ali estava o chute inicial da mudança de vida.

Antes de ser internado pela segunda vez, Jadson participou de peneiras, mas sem sucesso. Uma delas, para o time sub-20 do Noroeste, acabou dando certo. Não exatamente para vestir o branco e vermelho da camisa usada pelo time homônimo à cidade, mas em um futuro próximo.

“Quando entrei no União Barbarense, vi que ele (Jadson) tinha uma breve passagem pelo Vasco. Como já o conhecia, chamei para disputar a Copa São Paulo”, explica Róger Silva, ex-diretor de futebol do clube de Santa Bárbara do Oeste, que também passou pelo Norusca.

A participação na Copinha deste ano chamou a atenção até do exterior. De Portugal, Rio Ave e Braga se interessaram. Porém, ele só começaria a jogar no início da temporada europeia, em agosto. Assim, surgiu o sub-19 do Grêmio.

Em março, Jadson desembarcou em Porto Alegre para a equipe de juniores. Com bom desempenho, ganhou espaço nas atividades comandadas pelo técnico Renato Gaúcho na equipe profissional.

Em três meses, a primeira chance: ficou entre os relacionados para o jogo do Grêmio contra o Sport, na Ilha do Retiro, pela Série A do Brasileirão. Parece pouco, mas, para a mãe de Negão, Edimara Oliveira, foi uma confirmação.

“Não tenho palavras. Falaram para eu desistir dele, que não iria para a frente. Eu dizia: ‘Não! Acredito nele’. Se me fez chorar antes, me assustei quando soube que iria para esse jogo. Consegui vê-lo na TV, aquecendo. Chorei muito de alegria”, diz, emocionada.

Com a chance, o ex-interno da Fundação Casa mantém de pé outro lar: além da mãe, sustenta o filho, José Otávio, que completará 1 ano e dois meses no dia 5. Um verdadeiro golaço de placa feito pelo atacante de São Manuel, cidade no interior de São Paulo.

“Hoje, vejo: aquela vida não leva ninguém a nada”

Por que você foi internado na Fundação Casa?

Jadson Ailton – Foram duas vezes, com 14 e 16 anos, por tráfico de drogas. Fiquei internado um ano em cada vez.

O que te fez mudar de vida?

Nunca parei de sonhar em jogar futebol. Lá dentro, parei e refleti sobre o que queria. Saí e resolvi treinar com firmeza, sempre com dificuldade. Voltei a traficar por não ter condições. Não baixei a cabeça e, sempre com o apoio da minha mãe, Edmara, decidi mudar de vez. Hoje, vejo: aquela vida não leva ninguém a nada.

A sua história pode influenciar outros jovens?

Sim! Muitos garotos da minha cidade me olham de outra forma agora. Até tiram foto! Mexeu com a cabeça de muito moleque. O meu sonho é criar uma escolinha de futebol, dar uma oportunidade para que não aconteça com eles o que aconteceu comigo.

Quais as suas características e o seu sonho como jogador?

Sou um centroavante brigador. Se não der na técnica, vou na raça, atropelando o zagueiro. Minha meta é ir bem no sub-19 do Grêmio e ser um dos melhores atacantes na categoria no ano. E, quem sabe, um dia chegar na seleção brasileira.

 

Fonte: Ponte – Direitos Humanos / Justiça e Segurança Pública

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