Estudo mostra que mosquito da dengue é atraído pela cor vermelha e laranja

Aedes aegypti, mosquito causador da dengue, zika e chikungunya, é atraído por cores específicas, como vermelho, laranja, preto e ciano. Ele combina a visão com olfato para voar em direção às tonalidades, conforme estudo publicado nesta sexta-feira (4) na revista Nature Communications.

Os autores da pesquisa, que atuam na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram também que os mosquitos ignoram outras cores, como verde, roxo, azul e branco. Isso pode explicar como esses seres voadores nos escolhem: a pele humana naturalmente emite um forte “sinal” vermelho-alaranjado aos olhos dos insetos.

“Os mosquitos parecem usar odores para ajudá-los a distinguir o que está próximo, como um hospedeiro para picar”, diz Jeffrey Riffell, líder do estudo, em comunicado. “Quando eles cheiram compostos específicos, como o CO2 da nossa respiração, esse cheiro estimula os olhos a procurar cores específicas e outros padrões visuais, que estão associados a um hospedeiro em potencial.”

Aedes aegypti é atraído pela cor vermelha e ignoram outras cores, como verde, roxo, azul e branco (Foto: Reprodução)

Como só as fêmeas da espécie bebem sangue, os pesquisadores as observaram quando colocadas em contato com pistas visuais e olfativas. Os insetos ficavam em câmaras de teste em miniatura onde eram pulverizados com cheiros e expostos a estímulos, como pontos coloridos e uma mão humana.

Sem odor algum, os mosquitos ignoraram um ponto no fundo da câmara, seja qual fosse a sua cor. Após uma borrifada de CO2, eles continuaram menosprezando o alvo, mas só se fosse verde, azul ou roxo. Se fosse vermelho, laranja, preto ou ciano, os A.aegypti voavam na direção dele.

O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue (Foto: Muhammad Mahdi Karim / Wikimedia Commons)
O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue (Foto: Reprodução)

Tanto animais quanto seres humanos exalam CO2 na respiração e os mosquitos podem sentir o cheiro desse gás. Pesquisas anteriores realizadas pela mesma equipe sugeriram que tal aroma aumenta a atividade das insetos fêmeas, que procuram em seu redor por hospedeiros.

Quando os cientistas repetiram os experimentos, desta vez com tons da pele humana, os A.aegypti voaram novamente ao estímulo após a pulverização de CO2. A atração não ocorria se eles usassem filtros para remover sinais de comprimento de onda ou vestissem uma luva de cor verde.

Após cheirarem o CO2, a equipe supõe que os olhos dos mosquitos percebem comprimentos de onda mais longos de luz, que correspondem às suas cores preferidas. Porém, a genética também determina essa relação: fêmeas com a cópia mutante de um gene necessário para cheirar o gás parecem não ter mais preferência de cor.

Outra cepa de mosquitos mutantes, com uma alteração para não “ver” comprimentos de onda longos, eram daltônicos na presença de CO2. Para entender melhor essas diferenças entre os insetos, mais pesquisas são necessárias, visto que outras espécies também podem ter preferências de cores diferentes.

Fonte: Galileu