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A Terra pode abrigar entre 14 milhões e 20 milhões de espécies de insetos, mais que o dobro da estimativa anterior, de cerca de 6 milhões, segundo um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Apesar dessa enorme diversidade, apenas cerca de 1 milhão de espécies foram oficialmente descritas pela ciência até hoje.
A nova estimativa foi obtida por pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, a partir da análise genética de mais de 1,6 milhão de insetos coletados ao longo de décadas na Área de Conservação Guanacaste, na Costa Rica. O trabalho indica que milhões de espécies ainda permanecem desconhecidas pela ciência.
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“Nossos resultados apontam para um grande número de insetos ainda não descritos, ou seja, sem um nome científico”, afirmou a entomóloga Laura Melissa Guzman, autora principal do estudo, à ScienceNews. “Com os recentes relatos de declínio das populações de insetos, pode haver muitas espécies desaparecendo antes mesmo de serem descobertas.”
Os pesquisadores concentraram parte da análise em vespas parasitoides, um dos grupos mais diversos e menos estudados de insetos. Com base na proporção entre espécies identificadas e aquelas estimadas pelos modelos estatísticos, calcularam que apenas a área protegida da Costa Rica pode abrigar cerca de 333 mil espécies de insetos. Em seguida, extrapolaram os dados para a escala global, considerando a diversidade de árvores da região em comparação com a do restante do planeta.
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O resultado eleva significativamente as estimativas anteriores, que giravam em torno de 5,5 milhões a 6 milhões de espécies.
Além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade terrestre, o estudo reforça o alerta sobre a conservação desses animais. Insetos vêm sofrendo declínio em diversas partes do mundo devido ao uso de pesticidas, às mudanças climáticas, à destruição de habitats e à poluição luminosa.
“Não podemos proteger espécies se nem sabemos que elas existem”, afirmou Guzman.
Segundo os autores, o levantamento oferece uma referência mais robusta sobre a biodiversidade global e evidencia o quanto ainda falta conhecer sobre o grupo de animais mais diverso e abundante do planeta. A descoberta também sugere que inúmeras espécies podem estar em risco de extinção antes mesmo de serem registradas pela ciência.

Fonte: Um Só Planeta