Game é coisa de menina. Por que há homens que acham isso absurdo?

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A pesquisa Game Brasil 2016, que busca traçar o perfil dos brasileiros que jogam games, foi publicada na quarta-feira (16) com destaque para um dado surpreendente: 52,6% do público que joga algum tipo de game no Brasil é formado por mulheres.

Ou seja, segundo uma pesquisa de amostragem, feita com 2.848 pessoas de 26 estados e do Distrito Federal, game é coisa de menina também. Elas são a maioria jogando, independentemente da plataforma.

O que se viu após a publicação do estudo, nos comentários da reportagem no G1 e em redes sociais como o Facebook, foi um monte de gente falando que ele era furado. Mas não porque essas pessoas detectaram uma falha no método da pesquisa, ou até mesmo porque elas têm acesso a um outro levantamento mais amplo e pertinente.

Os números da Game Brasil 2016 seriam um “absurdo” porque as mulheres não são “gamers”. Afinal, elas jogam predominantemente games de celular.

O resultado da pesquisa realmente é uma surpresa, mas esse tipo de reação traz questões. Por que você precisa ser “gamer” para ser considerada uma pessoa que joga e gosta de games? Qual é o problema se as mulheres forem maioria? E por que jogar no smartphone tem esse teor “vira-lata” quando comparado a jogos de consoles?

Não é esse tipo de taxação e preconceito que os “gamers” odeiam quando aquele tio chato aponta para a tela do seu jogo, seja ele uma partida de “League of Legends” ou “Dark Souls”, e fala: “Que joguinho é esse? Isso aí é coisa de criança!”?

‘Gamer’, essa palavra
O emprego da palavra “gamer” é motivo de discussão há anos em comunidades de desenvolvimento de games e na imprensa internacional. E justamente por carregar uma conotação pejorativa.

Em artigo para o site especializado Gamasutra, o desenvolvedor Brandon Sheffield afirma que a palavra “gamer” surgiu como um termo de marketing usado para classificar (e limitar) quem gostava de jogar videogames na época.

“Em algum momento ficou óbvio que eram os games que vendiam esses dispositivos [Atari 2600 e ZX Spectrum]”, diz Sheffield sobre os primeiros anos dos jogos eletrônicos. “E games eram feitos para crianças, todos supunham, então esses ‘computadores domésticos’ logo se tornaram brinquedos”.

Quando a indústria de videogames quebrou na América do Norte, em 1983, muitos veículos de imprensa deixaram de acompanhar de perto os jogos eletrônicos. O público que jogava Atari, porém, cresceu, ao contrário da opinião pública.

Por isso, em sua origem no inglês, “gamer” ainda esbarra naquela definição equivocada de pessoa que fica trancada no quarto o dia inteiro jogando, brincando com um produto de criança, sem outras preocupações. Sem vida social.

Com o passar dos anos, a palavra “gamer” ganhou um viés elitista entre os próprios jogadores de videogames. Uma classificação reservada aos que se entregavam de corpo e alma ao hobby. Por consequência, excluía os que buscavam só um passatempo.

Essa conotação é histórica e remete às origens da palavra “gamer”. Em entrevista ao site especializado Polygon e em longo editorial sobre o assunto, o historiador de games Jon Peterson fala de como o “gamer” era aquela pessoa que jogava “wargames”, ou jogos de tabuleiro com temática militar.

As mulheres, como em tantas outras atividades sociais e culturais dos últimos séculos, foram deixadas de lado. Peterson afirma que, antes de virar hobby, os “wargames” só eram jogados por soldados – todos homens no século 18. Depois de se transformar em diversão, os “wargames” ganharam até um clube na Universidade de Oxford, mas mulheres não eram aceitas como estudantes na época.

Dá para perceber que ninguém ganha com o uso da palavra “gamer”, que historicamente mais exclui do que inclui. E esse tipo de divisão entre atividades e empregos para homens e mulheres não é bobeira. É uma questão que cria situações de violência, em pleno século 21, e em pólos de tecnologia como o Vale do Silício, na Califórnia (EUA).

Basta lembrar o caso de Isis Anchalee, que em 2015 sofreu com uma imagem sua que viralizou na internet porque ela supostamente “não tem cara de engenheira”. E ela ainda teve o perfil bloqueado no Facebook por seu nome coincidir com a sigla em inglês para a organização terrorista Estado Islâmico.

Fonte: G1

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