Presidente da FIA pede “mudança de prioridades” após pandemia de coronavírus

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O francês Jean Todt, presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), espera por uma “mudança de prioridades”, tanto no esporte automotivo como social, após a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus no mundo.

Como o senhor está vivendo este período de confinamento?

“Posso dizer que estou bem, levando em consideração o motivo de estarmos fazendo isso, mas temos que tirar lições. Às vezes me incomodo diante da importância que damos a coisas como armas nucleares, ir à lua, a carros autônomos… Tenho novamente a confirmação que o mais desconhecido e o menos controlado é o ser humano. Fala-se de um novo vírus, mas há muitas outras doenças que não sabemos curar, como o câncer, a leucemia, Parkinson, Alzheimer… É um dos motivos pelo qual, junto com o professor Gérard Saillant, criamos o Instituto do Cérebro e da Medula Espinhal em Paris. Espero uma mudança de prioridades e que demos mais importância à investigação médica.”

O senhor fala de um ‘New Deal’ após a crise…

“O ‘New Deal’ significa que quando tudo voltar à normalidade, as coisas terão mudado. É preciso aproveitar esta oportunidade. Neste momento estamos confinados. Se adotássemos a mesma atitude e responsabilidade nas ruas, haveria menos mortes, menos contaminação. Isso também faz parte”

Quais problemas a FIA enfrenta neste momento?

“Primeiro, vamos ver como reagem nossos membros aos problemas que tudo isso traz, principalmente financeiros. Também temos nossas competições, com essa enxurrada de cancelamentos e adiamentos. É preciso repensar os calendários e saber quando poderemos reiniciar tudo a nível logístico e intelectual. E mesmo se houver todas as condições para realizar um Grande Prêmio, há vontade de fazê-lo? É fundamental tirarmos lições disso tudo. A competição no automobilismo, começando pela Fórmula 1, é muito cara. Já tomamos medidas neste sentido, mas a pandemia complica assumir estes custos. Com o risco de perder equipes, construtores. É preciso ser responsável e colocar em prática soluções mais aceitáveis”

O que quer dizer com isso?

“Na F1, o novo regulamento técnico foi adiado de 2021 para 2022 e o teto financeiro (máximo de gastos de uma escuderia no ano) vai cair. Será inferior a 175 milhões de dólares, mas nem tudo está incluído neste limite. Estamos trabalhando nisso”

Na F1 parece ainda mais complicado, já que cada escuderia defende seus próprios interesses…

“Continua sendo complicado. Apesar de tudo, percebemos uma abertura, então não vamos deixar passar esta oportunidade. Mas é pequena. Com nossos amigos da Formula One (promotora da F1) tomaremos as decisões”

Quando serão retomadas as competições?

“Podemos dizer que voltaremos a uma vida normal no fim de junho, início de julho, mas atualmente tudo é suposição. Estamos neste período de reflexão, na qual todas as possibilidades estão abertas”

Corre-se o risco de desvalorizar as competições ao ter que encurtá-las?

“Não sei se podemos dizer isso. O ano de 2020 será um ano negro que nunca pensamos em viver e espero que não voltaremos a viver. Poderemos fazer uma balanço ao fim do ano, mas agora é cedo demais. Não podemos dizer quando começará o campeonato, espero que o quanto antes”

O cancelamento no limite do GP da Austrália de F1, o primeiro da temporada, foi muito criticado. Qual sua opinião?

“As pessoas dizem que não deveríamos ter ido, mas não vejo as coisas assim. Não havia motivo para não ir à Austrália. Por outro lado, quando já estávamos lá, as coisas aceleraram tão rapidamente que decidimos não correr. No mesmo fim de semana, os francês saíram às ruas para votar (eleições municipais). É muito fácil criticar, o mundo está cheio de conselheiros e acho que as pessoas poderiam ser um pouco mais humildes para entender melhor as coisas”

Serão disputadas corridas virtuais para substituir as reais. Como o senhor vê essa iniciativa?

“Somos muito favoráveis há muito tempo. A FIA criou um grupo de trabalho e-Sport que se tornará uma comissão. Sou um pouco velho para os videogames, prefiro assistir a uma corrida de verdade, mas é uma maneira sociável e simpática de participar e acredito que será algo que vai crescer muito. Contudo, existe um risco um pouco perigoso de isolamento. É preciso encontrar a medida certa”

Fonte: Yahoo!

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