Ex- jogadora de Botucatu, atleta que fazia faxina para poder jogar vibra com profissionalização no Grêmio: “Mudou a minha vida”

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Sofrer uma goleada de 5 a 1 em um Gre-Nal, em casa, pela série A2 do Brasileirão, em maio de 2018, transformou os rumos da equipe feminina do Grêmio. A partir do resultado, o clube passou a investir mais na modalidade — o que resultou na profissionalização de jogadoras, chegada de reforços, contratação do preparador físico Felipe Harzheim e até de uma cozinheira para atender as 18 atletas que moram no alojamento gremista, em Gravataí.

Jé Alves, 25 anos, foi uma das mulheres que passaram a viver do futebol neste processo. Desde setembro, consta em sua carteira de trabalho a profissão que, até então, era uma atividade em segundo plano: jogadora de futebol.

A atleta nutre paixão pelo esporte desde criança e tem história parecida com a de qualquer menina que gosta de futebol: era a única no meio dos meninos da rua do Bairro Itu Sabará, na zona norte da Capital. Enquanto disputava bola com os amigos, era frequentemente repreendida pela mãe, a dona Maria Gorete, que não gostava do fato de ver a filha “metida em brincadeira de guri”.

No entanto, o drible era uma especialidade da garota não só nas quadras de futsal. Ligeira, arrumava uma desculpa para seguir brincando até tarde. Em uma dessas oportunidades, a habilidade da jogadora chamou a atenção de um professor de Educação Física que passava de carro. Ele estacionou o veículo e pediu para falar com a responsável pela menina.

Da conversa, Jé saiu com uma bolsa no colégio Nossa Senhora do Cenáculo para reforçar o time da instituição nos jogos escolares entre os sexto e oitavo anos do Ensino Fundamental. Depois, integrou a tradicional equipe do Julinho — como o Colégio Júlio de Castilhos, no bairro Santana, é popularmente chamado.

Com os estudos concluídos, uma passagem mal sucedida pelo Botucatu, de São Paulo, rendeu à Jé uma lesão no joelho que a fez desistir dos gramados em 2014. Decepcionada, precisava trabalhar: era vendedora das lojas Magazine Luíza de segunda a sexta e, no fim de semana, ganhava uns trocos completando times de várzea.

As boas atuações da meia faziam com que muitos conhecidos insistissem para que ela tentasse entrar no Grêmio, seu time de coração. No início de 2017, ela cedeu, fez o peneirão do clube e foi aprovada. Àquela altura, Jé trabalhava como faxineira na Zona Sul de Porto Alegre, e a rotina começou a pesar.

— Nós ganhávamos R$ 500 por mês para jogar. Era insuficiente para eu pagar minhas contas e ajudar minha mãe em casa. Aí, eu fazia faxinas. Saía de casa às 7h, trabalhava e ia para o treino depois de pegar dois ônibus. Mas meu corpo não aguentava, eu estava esgotada e tive que escolher entre ganhar dinheiro ou fazer aquilo que gostava — contou.

Mesmo cansada, Jé resistiu. E a recompensa para ela e mais nove jogadoras chegou no último mês de setembro: o Grêmio assinou a carteira de trabalho da meia, que pôde deixar as faxinas para viver do futebol. Hoje, ela mora no alojamento das gurias gremistas em Gravataí e tem rotina de atleta: café da manhã, treino, almoço, reforço muscular de tarde e descanso à noite.

— Foi a melhor notícia da minha vida. Parar de trabalhar para fazer aquilo que tu gosta é incrível. Mudou a minha vida. Posso me dedicar. É um sonho pra mim jogar e ter carteira assinada — comemorou.

Fonte: Gaucha ZH

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