Denunciada pelo próprio clube, goleira da Seleção será investigada por atuação em final

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A final do Campeonato Brasileiro feminino acabou em polêmica e um dos clubes envolvidos relatou formalmente à CBF uma atuação suspeita da sua própria goleira. Luciana Maria Dionízio, que no momento serve à seleção brasileira, é o alvo do relato enviado ao diretor da área na entidade, Marco Aurélio Cunha. O departamento jurídico da CBF repassou o documento à Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que pediu no fim da tarde desta quinta-feira a abertura de uma investigação sobre o caso por possível infração ao artigo 243 – atuar deliberadamente de modo prejudicial à equipe que defende – do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e 243-A – atuar de forma contrária à ética desportiva com o fim de influenciar o resultado da partida.

Consultada pela reportagem, a goleira preferiu não se pronunciar. Cunha, por sua vez, declarou que acredita que as acusações sejam “infundadas”, mas ressaltou que cumpriu o procedimento padrão ao receber o ofício do clube paulista. A decisão sobre abertura de inquérito cabe ao presidente do STJD, Caio Rocha, que, se concordar com os argumentos da Procuradoria, deverá designar um auditor do Pleno para apurar o caso.

As partidas em questão foram os dois jogos da final da competição, em maio de 2016 – dias 17, no Rio, com vitória por 1 a 0 do Rio Preto, e 20, em São José do Rio Preto, com vitória por 2 a 1 do time da Gávea. Com mais gols fora de casa, Flamengo foi campeão, e o Rio Preto não se conformou com a atuação de Luciana. O clube enviou no dia 20 de junho à CBF um ofício listando uma série de situações que o clube considerou estranhas, entre saídas “estabanadas” do gol e displicência em tentativa de defender pênalti.

– Com a evolução rápida dos casos de manipulação de jogos no Brasil é preciso intensificar ações e investigações em todas as direções – afirmou o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt.

Luciana não vem em boa fase há algum tempo. Ela falhou contra a Austrália, no gol que acabou eliminando o Brasil do Mundial, em julho de 2015, no Canadá. Falhou também no segundo amistoso diante do Canadá em 7 de junho deste ano ao substituir Barbara, que havia saído lesionada. Após o Mundial em 2015, ela logo perdeu a posição para a Barbara, titular no Torneio de Natal, em dezembro. O diretor jurídico do Rio Preto, José Eduardo Rodrigues, explicou:

–  Ela tinha uma passagem marcada para terça-feira, e antecipou para após o jogo. Chegou ao vestiário já com bagagem, malas, para ir embora. Uma coisa estranha porque caso o Rio Preto fosse campeão nacional, ela não participaria da festa. Este fato, aliado a outros descritos do jogo, e em face também a toda a controvérsia, a polêmica que se criou na cidade, a cobrança de uma posição da diretoria… Inclusive essa atleta foi vaiada por sua atuação. Fez cera quando o Rio Preto precisava de pressa. Depois alegou que desconhecia o regulamento, por isso tinha feito cera – disse o dirigente, que alegou ainda estar tentando confirmar a informação de que ela teria retornado ao Rio de Janeiro no mesmo voo do Flamengo, o que também foi relatado no documento enviado à CBF.

Questionado se a atleta teve outras atuações semelhantes, o dirigente respondeu:

– Não, por isso chamou atenção, é uma excelente atleta, que no campeonato anterior, quando o Rio Preto foi campeão nacional, foi a melhor atleta do clube, exemplar. Por isso está na seleção e por isso chamou atenção que inexplicavelmente ela tenha duas atuações absolutamente estranhas. É ponderável que uma atleta possa estar em um dia menos feliz, os erros são humanos, não se quer condenar ninguém nem atribuir a ninguém a responsabilidade sobre o insucesso. Mas não podemos nos omitir diante de tudo que aconteceu.

A atacante Milene, que atuou nas partidas, disse não acreditar em qualquer conduta imprópria de Luciana, mas admitiu que notou que havia alguma coisa errada com a atleta:

– Não houve problema nenhum no vestiário. Eu participei da partida e convivo com a Luciana aqui. A gente sabe do potencial dela, é uma baita goleira. Eu notei que parecia haver alguma coisa errada, sabe, mas jamais ela venderia um jogo, ou alguma coisa desse tipo. Ainda mais quando a gente estava perdendo a partida, segurou muito a bola em vez de ligar logo a gente, tentar resolver, mas questão de vender jogo jamais partiria dela. Acho que falam demais, estão falando coisas que não cabem, ela jamais faria isso.

Consultada por email a respeito do caso, a assessoria do Flamengo respondeu:

–  O Flamengo é radicalmente contra qualquer tipo de manipulação de resultados no futebol. E caso fique provado que algo deste tipo aconteceu, o clube é a favor da punição exemplar aos envolvidos.

Sobre a suposta presença de Luciana no mesmo voo em que a equipe rubro-negra retornou ao Rio de Janeiro, o clube afirmou:

– A delegação do Flamengo retornou no dia seguinte ao jogo, às 6h30, em voo comercial, e desconhece a presença da atleta.

Veja o documento enviado pelo Rio Preto à CBF:

documento-rio-preto-cbf-070716

documento-rio-preto-cbf-2-070716

Fonte: G1

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