Escritor cubano teme invasão do capital norte-americano com o fim do embargo

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O escritor cubano Leonardo Padura torce para que o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba acabe, pondo fim a uma série de problemas que os moradores da ilha enfrentaram nas últimas décadas, mas teme que o processo possa causar consequências traumáticas ao país, como a invasão aberta do capital norte-americano.

Em entrevista que foi ao ar ontem (20) no programa Espaço Público, da TV Brasil, o autor de O Homem que Amava os Cachorros lembrou que o bloqueio imposto pelos norte-americanos afetou muitos elementos da vida cotidiana de Cuba, como a substituição de uma tecnologia “por outra, que era pior: a tecnologia russa”. Para ele, o setor mais afetado nos últimos anos foi o financeiro, porque o país não pode fazer operações internacionais em dólares.

“A má relação com os Estados Unidos, que inclui a lei do embargo, desde 1961, que inclusive ficou mais forte a partir dos anos 1990, foi sem dúvida um elemento que influenciou no desenvolvimento da economia cubana. Espero que, com o novo processo iniciado no ano passado, finalmente a lei do embargo também desapareça e possam existir relações muito mais normais”.

Na opinião do escritor, ainda é difícil prever as consequências para o futuro de Cuba. Ele acredita que, tanto na economia quanto na política, “poderia ser muito complicado e traumático” para o regime cubano essa mudança nas relações, especialmente devido à proximidade dos dois países.

“A eliminação do embargo pode significar algo muito bom, mas também muito perigoso para Cuba. Porque pode significar uma invasão aberta de capital norte-americano. Vamos ver como se dará essa aproximação já em questões práticas. Não apenas nos fatos simbólicos de abrir as duas embaixadas, hastear as duas bandeiras, toda essa coisa emotiva”, afirmou.

De acordo com ele, a ideologia de “pureza socialista e nacionalista” impostas pelo regime cubano impedia que os habitantes da ilha acessassem, por exemplo, discos dos Beatles, pois esse tipo de música era considerado “expressão da cultura capitalista decadente, ocidental, que influenciava ideologicamente os jovens”.

Padura acredita, no entanto, que diferentemente de outros países comunistas, como no Leste da Europa, “realmente aconteceu uma revolução” em Cuba. E enumera reflexos cotidianos, como um maior papel social das mulheres, o acesso de diferentes classes na universidade e o fim da discriminação racial.

Nascido em 1955 em Havana, Leonardo Padura é romancista, jornalista, ensaísta, roteirista, autor de novelas, crítico literário e professor universitário. Com livros traduzidos para o português, o inglês, o francês, o italiano e o alemão, ele ganhou o prêmio Princesa das Astúrias, concedido pelo conjunto da obra.

Fonte: Agência Brasil

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