27 de abril, 2026

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Escolha do psicólogo pesa no resultado do tratamento e maioria ainda não sabe por onde começar

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Procura por atendimento em saúde mental cresceu 18,5% em 2025, e a oferta de profissionais nunca foi tão grande. Sem critérios claros, pacientes desistem antes de encontrar o acompanhamento adequado.

A busca por psicólogos no Brasil bateu recorde. Segundo dados da plataforma Doctoralia, as consultas em psicologia saltaram de 7,5 milhões em 2024 para mais de 9 milhões em 2025.

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Os números refletem um movimento que começou durante a pandemia e ganhou força nos anos seguintes, mas que traz consigo um problema pouco discutido: a maioria das pessoas que decide procurar ajuda profissional não tem informação suficiente para fazer uma boa escolha.

O resultado aparece em consultórios de todo o país. Pacientes que trocam de terapeuta várias vezes em poucos meses, outros que abandonam o processo nas primeiras sessões e uma parcela significativa que, diante da frustração, deixa de acreditar que a psicoterapia funciona.

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A pesquisa Panorama da Saúde Mental, conduzida pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, revelou que 55,8% dos brasileiros que relatam sintomas de ansiedade nunca procuraram um profissional de saúde para tratar do assunto. Entre os que procuraram, boa parte relata dificuldade em se manter no tratamento.

O problema não está na falta de profissionais. O Brasil tem mais de 550 mil psicólogos registrados nos 24 Conselhos Regionais de Psicologia, conforme dados do Conselho Federal de Psicologia. É a maior categoria do gênero no mundo. A dificuldade está em saber o que observar antes de agendar a primeira sessão.

O registro profissional é o primeiro filtro, mas não o único

Parece óbvio, mas o passo inicial costuma ser ignorado: verificar se o profissional possui registro ativo no Conselho Regional de Psicologia. No Brasil, para atuar como psicólogo clínico, é obrigatório ter graduação em Psicologia e inscrição ativa no CRP da região onde atende. Sem esse registro, o exercício da profissão é irregular.

A verificação é simples. O Cadastro Nacional de Psicólogos, mantido pelo CFP, permite consultar o nome completo, o número de registro e a situação cadastral de qualquer profissional. Basta acessar o site do Conselho e digitar o nome ou o número do CRP. Profissionais com registro “ativo” estão habilitados; os com registro “cancelado” ou “suspenso”, não.

Esse cuidado vale especialmente para quem encontra profissionais por redes sociais ou plataformas de agendamento. O título de “terapeuta” não é exclusivo de psicólogos, e há pessoas que oferecem serviços de escuta ou aconselhamento sem formação adequada. A diferença entre um atendimento regulamentado e um sem respaldo técnico pode definir o resultado do tratamento.

A abordagem terapêutica importa mais do que parece

Psicologia não é uma disciplina única com um método só. Existem dezenas de abordagens terapêuticas reconhecidas, e cada uma trabalha de forma diferente.

A Terapia Cognitivo-Comportamental foca em modificar padrões de pensamento e comportamento. A Psicanálise investiga aspectos mais profundos da história do paciente e do funcionamento inconsciente. A Terapia Focada nas Emoções trabalha com o processamento emocional como via de transformação.

Nenhuma abordagem é superior às demais em termos absolutos. O que muda é a adequação ao perfil da pessoa e ao tipo de demanda. Quem busca tratamento para fobias ou transtorno de ansiedade pode se beneficiar de métodos mais estruturados.

Quem procura entender padrões de relacionamento que se repetem ao longo da vida tende a encontrar na psicanálise ou na psicoterapia psicanalítica um caminho mais compatível.

O problema é que a maioria dos pacientes não conhece essas diferenças. Marcam a consulta pelo preço, pela proximidade geográfica ou por uma indicação genérica. Quando o método do profissional não se encaixa na expectativa do paciente, a frustração aparece rápido.

Perguntar ao psicólogo, antes da primeira sessão, qual abordagem ele utiliza e como ela funciona na prática é uma forma concreta de evitar esse tipo de desencontro.

Formação e experiência não são detalhes menores

O diploma de graduação habilita o profissional a atuar, mas a formação continuada define a profundidade do trabalho clínico. Pós-graduações, especializações e supervisão clínica são indicadores de que o psicólogo investiu tempo e estudo para aprofundar sua capacidade de atendimento.

Um profissional que fez residência ou especialização em uma instituição reconhecida, que participa de supervisão clínica e que acumula anos de prática tende a ter um repertório mais amplo para lidar com situações complexas. Isso não significa que um psicólogo recém-formado seja incapaz de oferecer bom atendimento, mas é um critério legítimo na hora de escolher.

Verificar a trajetória do profissional é possível e recomendável. Muitos psicólogos publicam suas credenciais em seus próprios sites ou em plataformas como Doctoralia e MundoPsicólogos.

Para quem deseja conhecer melhor a formação, a experiência clínica e as áreas de atuação antes de marcar atendimento, visitar o site do psicólogo Fabio Correa pode ser um bom caminho para reunir essas informações e tomar uma decisão com mais segurança.

A relação entre paciente e profissional é o fator que mais pesa

Pesquisas em psicoterapia apontam que a chamada “aliança terapêutica”, o vínculo de confiança entre paciente e psicólogo, é um dos maiores preditores de resultado positivo no tratamento. A qualidade dessa relação muitas vezes pesa mais do que a técnica utilizada.

Na prática, isso significa que o paciente precisa se sentir acolhido, ouvido e respeitado. Precisa perceber que pode falar sem medo de julgamento. Precisa confiar que o profissional está tecnicamente preparado para conduzir o processo. Quando essa conexão não acontece, o tratamento estagna.

A primeira consulta costuma funcionar como uma espécie de reconhecimento mútuo. O paciente avalia se se sente confortável; o psicólogo faz uma avaliação inicial da demanda. Se após duas ou três sessões a sensação de desconforto persistir, trocar de profissional não é fracasso. É parte do processo de encontrar o acompanhamento certo.

A saúde mental do brasileiro pede atenção, e a escolha do profissional faz parte do cuidado

Os números não deixam margem para dúvida. Em 2024, o Brasil registrou mais de 440 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, um recorde na série histórica do Ministério da Previdência Social.

Os afastamentos por transtornos de ansiedade cresceram mais de 400% em uma década. A pesquisa Covitel 2024 aponta que 56 milhões de brasileiros convivem com algum grau de transtorno de ansiedade, o equivalente a 26,8% da população.

A demanda por atendimento é real e crescente. No SUS, foram realizados 27,9 milhões de atendimentos psicológicos em 2023, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2024, já tinham sido registrados quase 14 milhões.

Com tanta gente precisando de acompanhamento e tantos profissionais disponíveis, a etapa da escolha ganha peso. Não se trata de encontrar “o melhor psicólogo do mundo”, mas de encontrar o profissional com formação sólida, abordagem compatível com a demanda e capacidade de construir um vínculo de confiança.

O que verificar antes de agendar a primeira consulta

Alguns critérios ajudam a filtrar a busca sem transformar o processo em algo exaustivo. O registro ativo no CRP é inegociável. A abordagem terapêutica deve ser compatível com o tipo de queixa.

A formação e a experiência do profissional indicam o grau de preparo para casos mais delicados. A disponibilidade de horário precisa caber na rotina do paciente, porque a terapia funciona melhor quando mantida com regularidade.

O valor da sessão também entra na equação. A psicoterapia é um processo contínuo, geralmente semanal, e precisa ser financeiramente viável para que o paciente não abandone o tratamento no meio do caminho. Há profissionais que atendem por convênio, outros que trabalham com valores sociais, e plataformas que oferecem sessões a preços reduzidos.

Pesquisar antes de marcar não é exagero. Ler o site do profissional, conferir seu registro, entender sua linha de trabalho e, se possível, conversar brevemente antes da primeira sessão são atitudes que aumentam muito a chance de acertar na escolha. Quando o paciente chega informado, a primeira sessão já começa com mais clareza para os dois lados.

Procurar ajuda é o primeiro passo; escolher bem é o segundo

A decisão de iniciar um acompanhamento psicológico já representa uma mudança de postura. Significa reconhecer que algo precisa de atenção e que existe um caminho profissional para lidar com isso. O passo seguinte é garantir que esse caminho leve a algum lugar.

Com informação acessível, ferramentas de consulta pública e um número crescente de profissionais qualificados em todas as regiões do país, o paciente tem condições de fazer uma escolha consciente. O CRP oferece meios de verificação. Os profissionais publicam suas credenciais. As abordagens terapêuticas estão descritas em linguagem cada vez mais acessível.

Quem cuida da escolha antes de começar tende a permanecer mais tempo no tratamento e a colher resultados melhores. E em um país onde a saúde mental exige atenção urgente, cada tratamento que funciona faz diferença.

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