‘Era a coisa certa a se fazer’, diz manifestante negro que resgatou suposto extremista branco ferido em Londres

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Patrick Hutchinson, o manifestante negro que carregou um homem branco durante uma briga em Londres entre participantes de protesto anti-racismo e opositores de extrema-direita, disse que era simplesmente a coisa certa a se fazer. Uma fotografia dele saindo do tumulto, com um homem ferido nos ombros, viralizou nas redes sociais e ganhou as manchetes.

“Era a coisa certa a se fazer”, afirmou o personal trainer e especialista em artes marciais à “Reuters TV” nesta segunda-feira: “Não queríamos que a narrativa mudasse e que o foco fosse tirado daquilo por que todos lutamos, a igualdade verdadeira”. A Grã-Bretanha, como muitos países ao redor do mundo, viu uma onda de manifestações anti-racismo após a morte de George Floyd em Minneapolis, nos EUA, no último dia 25. Eles têm sido pacíficos, mas, no sábado, opositores de extrema-direita convergiram para o centro de Londres e ocorreram conflitos.

Para Hutchinson, as manifestações pacíficas contra o racismo precisam continuar no Reino Unido: “Temos que continuar protestando. Temos que continuar marchando. Nossas vozes precisam ser ouvidas. Precisamos obter uma igualdade verdadeira, mas a violência é desnecessária”.

Patrick Hutchinson, apoiador do Movimento
Patrick Hutchinson, apoiador do Movimento “Black Lives Matter”, carrega um simpatizante da extrema-direita ferido na cabeça após confrontos em Londres (Foto: Reprodução)

O homem carregado por Hutchinson tinha ferimentos no rosto, e os repórteres da Reuters no local disseram que ele foi espancado em uma briga com manifestantes anti-racismo. Algumas pessoas na multidão gritaram que ele era membro de um grupo de extrema-direita, mas não houve confirmação oficial de sua identidade ou afiliação política.

Hutchinson contou que a vida do suposto manifestante de extrema-direita estava “ameaçada” quando ele o pegou do chão e o retirou do local em segurança, enquanto manifestantes rivais se enfrentavam perto da estação Waterloo. O homem branco estava sendo espancado por ativistas rivais quando o personal trainer chegou e o levou em direção a policiais, com a ajuda de que formavam uma barreira ao seu redor.

Patrick Hutchinson com os amigos que fizeram um cordão a sua volta para salvar o homem branco
Patrick Hutchinson com os amigos que fizeram um cordão a sua volta para salvar o homem branco (Foto: Reprodução)

Ao canal britânico “Channel 4 News”, ele relatou que era uma cena “assustadora”: “Havia pessoas tentando protegê-lo, mas sem sucesso. E então os meus amigos foram lá, meio que fizeram um pequeno cordão ao redor dele para impedir que ele continuasse sendo agredido. A vida dele estava ameaçada. E, enquanto eles faziam isso, eu pensei: ‘bem, se ele ficar aqui, não vai conseguir sair’. Então, eu apenas o peguei, coloquei-o nos meus ombros e comecei a andar em direção à polícia com ele, enquanto meus amigos meio que me cercavam e protegiam a mim e ao cara no meu ombro. Eu podia sentir pancadas e golpes enquanto o carregava, então meus amigos provavelmente sentiram um pouco disso também”.

O homem branco não pronunciou uma palavra enquanto era resgatado, e Hutchinson não falou com ele ou o viu desde então. rsonal trainer que trabalha com atletas de elite em Wimbledon, no sudoeste de Londres, ele formou um grupo com esses quatro amigos, que fazem parte da empresa de segurança particular Ark Protection, para evitar que jovens manifestantes do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) se envolvam em episódios de violência nos protestos.

Hutchinson rejeitou o título de herói dado a ele pela imprensa britânica e disse que os amigos merecem o mesmo crédito: Pierre Noah, professor de segurança pessoal e artes marciais que comanda a Ark Protection; Jamaine Facey, personal trainer e lutador de MMA; Lee Russel, consultor de segurança e especialista em artes marciais; e o empresário Chris Otokito, que venceu competições brasileiras de jiu-jitsu. “Sem eles, eu provavelmente teria sido pisoteado pela multidão também”, assegurou Hutchinson ao “Channel 4”.

Pai de dois filhos, Hutchinson contou que sua intervenção o fez pensar na inércia dos policiais durante a morte de George Floyd. “Se os outros três agentes que estavam lá quando George Floyd foi assassinado, tivessem pensado em intervir e impedir que seu colega fizesse o que estava fazendo, como fizemos, ele ainda estaria vivo hoje”, afirmou ele: “Eu só quero igualdade para todos nós. No momento, as balanças estão injustamente equilibradas e quero que as coisas sejam justas para meus filhos e netos”.

Fonte: Extra

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