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Durante a missão da Artemis II, a Nasa divulgou uma série de imagens que mostram a Lua e a Terra. Muitas pessoas questionaram: por que elas aparecem em meio a um céu escuro, sem estrelas?
Os registros foram feitos ao longo do fim de semana e desta segunda-feira (7), quando eles passaram pela Lua. Agora, a missão segue para a reta final, no retorno à Terra.
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As fotos, que foram feitas com as mais de 30 câmeras e dispositivos levados ao espaço, mostram a Terra e a Lua com grande nitidez, mas elas aparecem em meio a um grande céu preto – muito diferente da realidade do sistema complexo, que tem outros planetas e estrelas.
O astrofísico Jaziel Goulart Coelho, do Núcleo de Astrofísica, Gravitação e Cosmologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), explica que elas estão lá, mas não aparecem na imagem pela forma como as fotos são feitas.
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“A Lua e a Terra iluminadas pelo Sol são extremamente brilhantes. Já as estrelas, embora luminosas, são muito mais fracas em comparação. Isso cria um problema clássico de fotografia chamado alto contraste. Para registrar bem a superfície da Lua e mesmo da Terra, a câmera usa uma exposição curta. Com exposição curta, as estrelas não aparecem”, disse Jaziel Goulart Coelho, Astrofísico.
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Essa diferença de luz cria o que a fotografia chama de “alto contraste”: na mesma cena, há elementos muito claros e outros muito escuros.
Para que a superfície da Lua ou da Terra apareça com definição, mas sem ficar “estourada”, a câmera precisa usar uma exposição curta, captando luz por um intervalo de tempo menor.
Um jeito de entender é pensar em uma foto noturna aqui na Terra:
Se você tenta fotografar uma pessoa bem iluminada por um poste de luz usando uma exposição rápida, o fundo do céu tende a ficar completamente escuro — mesmo que haja estrelas ali.
No espaço, o princípio é exatamente o mesmo — só que com um contraste ainda mais extremo entre a luz refletida pela Lua ou pela Terra e o brilho distante das estrelas.
As câmeras usadas pelos astronautas foram configuradas para fazer imagens da Terra e da Lua, com ajustes técnicos de exposição. Com isso, as estrelas não aparecem na imagem, ainda que estejam lá.
E essas fotos, têm valor científico?
Apesar de impressionantes, as fotos divulgadas pela Artemis II têm valor científico limitado quando consideradas isoladamente.
Isso porque a observação da Terra e da Lua a grandes distâncias não é novidade. Desde as décadas de 1960 e 1970, ainda no programa Apollo, missões tripuladas já haviam registrado imagens semelhantes. Depois disso, exploradores robóticos mapearam com precisão até mesmo o lado oculto da Lua.
Hoje, a própria Nasa mantém equipamentos dedicados a esse tipo de registro. Um exemplo é o satélite DSCOVR, lançado em 2015, que carrega a câmera EPIC (Earth Polychromatic Imaging Camera). Ele fotografa a Terra inteira a cerca de 1 milhão de quilômetros de distância — bem mais longe do que a Orion na Artemis II.
Ainda assim, há um ponto central que explica a importância da missão: desta vez, o foco não está apenas nas imagens, mas na presença humana.
A Nasa tem enfatizado o papel dos astronautas como observadores ativos, capazes de interpretar o ambiente, tomar decisões em tempo real e complementar o trabalho automatizado das sondas.
Além disso, a missão ocorre em um novo contexto geopolítico. Estados Unidos e China disputam protagonismo na nova corrida espacial, agora com um objetivo diferente daquele da Apollo 11. Mais do que chegar à Lua, a meta é estabelecer uma presença contínua, com infraestrutura que permita missões frequentes e, no futuro, até permanentes.
Fonte: G1