Empresário vendia falsa cachaça com combustível para carro e substância que mata, diz polícia

Um empresário de 40 anos foi preso em flagrante, nesta terça-feira (17), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, suspeito de falsificar e vender bebida alcoólica com etanol.

Segundo a polícia, o prejuízo do esquema chegaria a R$ 2,4 milhões.

A Polícia Civil começou a investigação depois de ser acionada pelo Instituto Mineiro de Agropecuário (IMA), que recebeu denúncias anônimas de adulteração de bebidas.

“Diante da informações e dos detalhes, achamos prudente procurar a polícia. Estava bem claro a atividade criminosa. A polícia passou a investigar, identificou a materialidade e a operação veio a ocorrer”, contou o fiscal do IMA, Lucas Guimarães.

Um dos galpões que o empresário usava para fabricar e distribuir falsas cachaças com etanol  — Foto: Polícia Civil de Minas Gerais
Um dos galpões que o empresário usava para fabricar e distribuir falsas cachaças com etanol (Foto: Polícia Civil de Minas Gerais)

De acordo com as investigações, o suspeito fabricava e distribuía a falsa cachaça em dois galpões, localizados em Contagem. Em um destes locais, foram apreendidos cerca de 60 mil litros de etanol, além de garrafas, computadores, documentos e veículos.

“Esses 60 mil litros de álcool iriam render cerca de 120 mil litros de cachaça falsa, altamente prejudicial ao consumo”, disse o delegado Júlio Wilke.

Ainda segundo o delegado, algumas notas fiscais apreendidas pela polícia identificaram que o álcool vendido era combustível para veículos.

Wilke explicou que não se sabe ainda se o suspeito utilizou uma marca legal ou se criaram essa empresa para adulterar o produto.

Dois funcionários da indústria foram ouvidos e a polícia apura o envolvimento de cada um.

Empresário é preso suspeito de fabricar e distribuir falsa cachaça com etanol na Grande BH — Foto: Danilo Girundi/ TV Globo
Empresário é preso suspeito de fabricar e distribuir falsa cachaça com etanol na Grande BH (Foto: Danilo Girundi/ TV Globo)

O produto foi levado para análise no IMA. A Polícia Civil vai investigar quantos litros eram produzidos mensalmente e para quem eram vendidos.

Os envolvidos podem responder por crime tipificado como “corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício, assim como a exposição à venda, a manutenção em depósito para venda e distribuição de produtos falsificados, corrompidos ou adulterados”.

O produto foi levado para análise no IMA, para descobrir quais substâncias estão presentes nas garrafas.  — Foto: Polícia Civil
O produto foi levado para análise no IMA, para descobrir quais substâncias estão presentes nas garrafas. (Foto: Polícia Civil)

‘Metanol mata mais rápido que etilenoglicol’

Segundo as investigações, o etanol transformado no processo de falsificação da bebida pode virar metanol, “substância que mata mais que o etilenoglicol”, segundo Lucas Guimarães, fiscal do IMA.

“Diferente do caso Backer é que aqui tem uma estrutura dolosa montada para falsificação, criada para produzir produto impróprio, inclusive com fundo falso, na fábrica. Eles colocaram alto índice de enxofre, não tinha monitoramento dos padrões da cachaça, além de utilizarem insumos alérgicos que podem causar a morte como o metanol que mata mais rápido que etilenoglicol” , contou ele, em referência à substância encontrada em cervejas da Backer, em 2020.

O IMA alerta que quem adquiriu a bebida deve descartá-la e procurar a Polícia Civil.

Um dos galpões foram lacrados pela Polícia Civil, em Contagem, na Grande BH  — Foto: Polícia Civil
Um dos galpões foram lacrados pela Polícia Civil, em Contagem, na Grande BH (Foto: Polícia Civil)

Fonte: G1

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