Empresário próximo a Maduro se apresenta a juiz dos EUA por suposta lavagem de dinheiro

O empresário colombiano Alex Saab, próximo ao presidente venezuelano Nicolás Maduro, compareceu nesta segunda-feira (18) pela primeira vez diante de um juiz americano em Miami, que o notificou sobre sua acusação por lavagem de dinheiro, após sua extradição no sábado de Cabo Verde.

“Está aqui em seu comparecimento inicial por uma acusação de conspiração para cometer lavagem de dinheiro e sete acusações de lavagem de instrumentos monetários”, declarou o juiz John J. O’Sullivan, do tribunal federal do distrito sudeste da Flórida, durante uma audiência celebrada por videoconferência.

A Justiça americana acusa o empresário de 49 anos e seu sócio Álvaro Pulido, que está desaparecido, de dirigirem uma ampla rede para desviar fundos de um sistema de subsídios alimentares na Venezuela.

Segundo Washington, ambos transferiram cerca de 350 milhões de dólares do país sul-americano para contas que controlavam nos Estados Unidos e em outros países. Se sua responsabilidade for confirmada, os acusados poderão ser condenados a penas de até 20 anos de prisão.

Saab estava detido em Cabo Verde desde sua prisão em junho de 2020, durante uma escala naquele país. As autoridades do arquipélago africano o detiveram então a pedido dos Estados Unidos, que o tinham acusado de lavagem de dinheiro quase um ano antes.

Críticas de Washington a Caracas

De empreiteiro de moradias sociais na Venezuela, Saab passou a dirigir uma rede de importações para o governo Maduro, que lhe deu a nacionalidade venezuelana, um título de embaixador e lutou sem sucesso para evitar sua extradição aos Estados Unidos.

A transferência do colombiano a Miami teve uma resposta imediata de Caracas. O governo Maduro, que qualificou o ocorrido de “sequestro”, suspendeu no sábado as negociações que mantém com a oposição na Cidade do México.

A decisão foi criticada por Washington nesta segunda-feira.

“Estão colocando o caso de um indivíduo acima do bem-estar, acima do sustento de milhões de venezuelanos que deixaram claras suas aspirações de democracia”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

O governo americano também instou a Venezuela a libertar seis ex-executivos da Citgo, filial da petroleira estatal PDVSA, que voltaram à prisão pouco depois da extradição de Saab, após seis meses em prisão domiciliar por corrupção.

“Após já terem passado quatro anos detidos injustamente na Venezuela (…), deveriam ser libertados de forma imediata e incondicional”, disse Price sobre estes seis cidadãos, cinco americanos e um com residência permanente no país norte-americano.

A próxima audiência do caso contra Saab será em 1º de novembro.

A oposição da Venezuela, que acusa o empresário de ser testa-de-ferro de Maduro, comemorou a extradição aos Estados Unidos durante o fim de semana, assim como o presidente da Colômbia, Iván Duque.

“Eu espero que todos os aportes que Alex Saab fizer à justiça dos Estados Unidos também mostrem o que há por trás desta rede e é uma narcoditadura que pretendeu usar esta rede para lavar dinheiro”, disse nesta segunda-feira Duque, um dos maiores críticos do chavismo, durante visita oficial a São Paulo.

No entanto, o acusado já anunciou no domingo que não vai colaborar com os Estados Unidos, segundo uma carta lida pela sua esposa em Caracas, diante de 300 pessoas reunidas em seu apoio.

“Não cometi nenhum crime”, disse o empresário na carta.

Fonte: Yahoo!

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