Dólar opera em alta nesta quinta, cotado abaixo de R$ 3,70

O dólar opera em alta na manhã desta quinta-feira (24), cotado abaixo de R$ 3,70, reagindo à atuação do Banco Central no câmbio, ao cenário político conturbado no Brasil e acompanhando o movimento dos mercados externos, destaca a Reuters.

Às 13h49, a moeda subia 0,626%, cotada a R$ 3,6998 na venda.

Na véspera, o dólar fechou em alta de quase 2%, acima de R$ 3,67. A moeda norte-americana subiu 2,11%, vendida a R$ 3,6768.

No mês, até quarta-feira, o dólar ainda acumula queda de 8,16% frente ao real.

Acompanhe a cotação ao longo do dia:

Às 9h09, alta de 0,99%, a R$ 3,7135.

Às 9h19, alta de 1,12%, a R$ 3,7180.

Às 9h39, alta de 0,81%, a R$ 3,7066.

Às 10h, alta de 0,63%, a R$ 3,70.

Às 10h39, alta de 0,30%, a R$ 3,6880.

Às 11h09, alta de 0,42%, a R$ 3,6924.

Às 11h49, alta de 0,54%, a R$ 3,6969.

Às 12h29, alta de 0,41%, a R$ 3,6922.

“Aquele cenário de dólar caindo na direção dos R$ 3,50 parece menos provável agora. A trajetória pode ser de queda se o [cenário] político melhorar, mas com bastante volatilidade”, disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold à agência Reuters.

Após recuar abaixo de R$ 3,60 e tocar os menores níveis em seis meses, o dólar voltou a subir nesta semana com a ação do BC. A autoridade monetária fez nesta manhã leilão de swaps cambiais reversos, que equivalem a compra futura de dólares, pelo quarto dia consecutivo, após deixar a ferramenta encostada por três anos.

No entanto, o BC não vendeu nenhum contrato dos até 3 mil ofertados, levando o dólar a reduzir a alta sobre o real. O lote foi também menor do que as outras três operações.

O BC também reduziu pela terceira vez neste mês a oferta de swaps cambiais tradicionais –que equivalem a venda futura de dólares– para rolagem dos contratos que vencem em abril. Se mantiver até o penúltimo pregão do mês a oferta de até 2 mil contratos, contra 2,6 mil na operação da véspera, rolará pouco menos de 70% do lote total, correspondente a US$ 10,092 bilhões.

Por fim, a autoridade monetária fará à tarde leilão de venda de até 3 bilhões de dólares com compromisso de recompra, para rolar os contratos que vencem em 4 de abril.

Muitos operadores acreditam que o enfraquecimento do dólar desagrada ao BC ao prejudicar exportadores no momento de intensa recessão e, assim, poderia afetar as contas externas do país. A autoridade monetária diz que age para mitigar a intensa volatilidade, que vem em meio a forte incerteza política.

Operadores citavam ainda a reunião do PMDB na próxima terça-feira, que deve decidir pelo rompimento com o governo, e a possível decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil como eventos que mantinham o quadro de cautela nesta quinta-feira, antes do feriado da Sexta-Feira Santa.

“Você não quer ficar exposto num feriado com o clima como está”, explicou o operador da corretora Intercam Glauber Romano à agência Reuters.

A alta do dólar nesta sessão refletia também expectativas de aumentos de juros nos Estados Unidos neste ano, após o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, se juntar a outras autoridades do banco central norte-americano que destacaram as chances de pelo menos duas elevações neste ano, com a primeira talvez até em abril. Segundo Bullard, uma alta de juros “pode não estar longe”.

Juros mais altos nos EUA podem atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em economias emergentes, como o Brasil.

Dúvidas sobre estratégia do BC

Alguns operadores haviam entendido a atuação do BC nas duas últimas sessões como uma ferramenta para o BC sondar a demanda pelos instrumentos. As vendas parciais teriam sido um sinal de que a autoridade monetária não teria como objetivo colocar um piso para as cotações, mas apenas garantir que a queda da moeda norte-americana aconteça de forma suave.

No entanto, a continuidade da atuação lançou dúvidas sobre a estratégia. Alguns operadores discutiam inclusive a possibilidade de o BC evitar deixar o dólar cair abaixo de R$ 3,60 de forma a proteger as exportações brasileiras em um momento de forte recessão.

“Não ficaria surpreso se o mercado voltar a testar (cotações mais baixas) para conseguir respostas”, disse à Reuters o operador da corretora de um banco nacional.

As ações recentes do BC contribuem para reduzir o estoque de quase US$ 110 bilhões em swaps tradicionais em circulação, que tende a gerar custos quando o dólar se fortalece. Na terça-feira, o presidente do BC, Alexandre Tombini, defendeu esse estoque como importante para a estabilidade financeira, embora veja menor demanda pelos instrumentos.

Uma das explicações para as vendas parciais do BC era que as propostas dos investidores no leilão não teriam sido atraentes. “O mercado sabe que o BC quer desovar um estoque grande e por isso pressiona as taxas”, acrescentou o operador.

Nas operações de swap reverso, o Banco Central é quem ganha a variação cambial do período de validade dos contratos. No swap tradicional, o BC é quem paga a variação.

Fonte: G1

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