28 de março, 2026

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DNA antigo revela que cães já eram domesticados há pelo menos 14 mil anos na Europa e na Ásia

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Novas análises de DNA antigo estão ajudando a reescrever a história da domesticação dos cães. Dois estudos publicados em 25 de março na revista científica Nature, divulgado no site Science News, indicam que cães já estavam domesticados a partir de lobos há mais de 14 mil anos na Eurásia — mais de três mil anos antes do que apontavam evidências genéticas anteriores.

As pesquisas analisaram material genético extraído de mais de 200 fósseis de cães e lobos encontrados em sítios arqueológicos na Europa, no sudoeste da Ásia e no planalto iraniano. Os dados mostram que, já nesse período, os cães formavam populações estáveis e geneticamente distintas dos lobos.

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Domesticação complexa

Os cães foram os primeiros animais domesticados pelos humanos, muito antes de espécies como cavalos, ovelhas e bovinos. Ainda assim, a data exata dessa transição sempre foi questionada.

Até então, estimativas indicavam que a separação entre cães e lobos poderia ter ocorrido entre 27 mil e 40 mil anos atrás, mas as evidências genéticas mais antigas confirmadas eram bem mais recentes, com cerca de 10.900 anos.

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Agora, os novos estudos avançam. O fóssil de cão mais antigo com DNA analisado foi encontrado no sítio arqueológico de Kesslerloch, na atual Suíça, e datado de 14.200 anos. A análise revelou que esse animal compartilhava ancestralidade com outros cães paleolíticos, sugerindo que a domesticação já estava consolidada em diferentes regiões.

Cães foram os primeiros animais domesticados pelos humanos, muito antes de espécies como cavalos, ovelhas e bovinos. (Foto: Pexels/Helena Lopes)

Populações estáveis

Um segundo estudo analisou genomas de cães antigos em regiões que hoje correspondem à Turquia, Inglaterra e Sérvia. Os resultados indicam que populações geneticamente estáveis já estavam amplamente distribuídas por essas áreas há cerca de 14.300 anos.

Além disso, fósseis encontrados em diferentes sítios apresentaram padrões genéticos, o que reforça a hipótese de que esses animais pertenciam a grupos já estabelecidos, e não a eventos isolados de domesticação. Apesar disso, ainda não está totalmente claro qual era a relação direta desses cães com os humanos. Eles poderiam tanto viver como animais próximos às comunidades quanto já desempenhar papéis mais definidos.

Migração humana

Os estudos também indicam que a expansão dos cães está diretamente ligada às migrações humanas. Evidências genéticas mostram que alguns cães europeus antigos carregavam traços de ancestralidade do sudoeste da Ásia, associados ao deslocamento de populações agrícolas.

Outro questão é que restos de cães geneticamente semelhantes foram encontrados em contextos arqueológicos ligados a grupos humanos distintos. Isso sugere que os cães se espalharam não apenas com um único povo, mas por meio de interações entre diferentes comunidades.

Origem comum

As novas evidências reforçam a hipótese de que todos os cães modernos descendem de uma única linhagem de domesticação, possivelmente iniciada na Ásia, com posteriores cruzamentos entre cães e lobos ao longo do tempo. Para a bióloga evolutiva Beth Shapiro, os cães atuais são resultado de mais de 15 mil anos de migrações, cruzamentos e influência humana.

Fonte: Um Só Planeta

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