03 de abril, 2025

Últimas:

Descoberta árvore africana que pode viver 3 mil anos e passar dos 40m de altura

Anúncios

Durante uma expedição em 2019 nas Montanhas Udzungwa e no Vale Mngeta de Udzungwa, na Tanzânia, uma equipe de cientistas se deparou com uma enorme árvore de aproximadamente 40 metros de altura, até então desconhecida nos registros. Diferente de qualquer outro exemplar já visto na região, sua casca apresentava tons que variavam do cinza para o marrom-claro, com folhas de pelos castanhos e flores docemente perfumadas.

Análises conduzidas a partir de amostras coletadas confirmaram se tratar de uma nova espécie do gênero Tessmannia sp., um grupo que inclui cerca de uma dúzia de outras plantas nativas da África tropical. Assim, ela foi oficialmente reconhecida como T. princeps. Detalhes da descoberta aparecem em um artigo publicado no dia 20 de março dentro da revista Phytotaxa.

Anúncios

Na imagem, é possível ver a comparação de um homem adulto diante de um tronco maduro de Tessmannia princeps, espécie recém-descoberta (Foto: Divulgação/Andrea Bianchi)

Espécie escondida na frente de todos

Com a confirmação da nova espécie, um levantamento completo foi conduzido nas áreas de floresta tropical próximas da árvore “original”. Isso revelou à equipe outros 100 indivíduos maduros – o mais velho deles aparentando ter bem mais de 2.000 anos, com base nos anéis de seus companheiros mortos.

Embora mais datação por radiocarbono seja necessária para confirmar a longevidade das plantas, os pesquisadores apontam que basta olhar para esses gigantes para verificar que eles estão vivos há muito tempo. Em alguns casos, por exemplo, os contrafortes das raízes se estendem até 15 metros, até o primeiro galho da copa.

Anúncios

As árvores fazem parte de uma “ponte ecossistêmica” crítica que une duas florestas de 30 milhões de anos na Tanzânia. Este corredor verde abriga um projeto de restauração de uma empresa privada, que busca proteger os fragmentos remanescentes de floresta da influência humana enquanto tira 5.500 moradores da pobreza.

Sem trabalho de restauração contínuo, os cientistas responsáveis suspeitam que as espécies recém-identificadas seriam imediatamente ameaçadas com perda de habitat. Estima-se que restem apenas mil T. princeps, restrita a dois vales adjacentes: na Reserva Florestal de Terras da Vila Boma La Mzinga e na Reserva Florestal de Terras da Vila Uluti.

Distribuição de espécies de Tessmannia sp. na África Oriental (Foto: Bianchi et al.)

Impacto das espécies antigas no ecossistema

“O passado histórico da área onde a árvore é encontrada provavelmente teve um grande impacto no declínio do habitat desta espécie”, escrevem os autores no artigo. “A grande maioria das florestas montanhosas nas imediações foram desmatadas nos últimos 120 anos”.

Árvores antigas como as T. princeps fornecem uma gama de serviços ecossistêmicos, incluindo sombra, armazenamento de carbono e habitat para plantas e animais. No entanto, ao mesmo tempo, elas também são algumas das plantas mais ameaçadas.

Como lembrou o portal ScienceAlert, as florestas do mundo não estão apenas diminuindo, elas estão ficando mais jovens – um grande problema para a conservação florestal e a ciência climática. Em 2018, o mundo perdeu quase 4 milhões de hectares de floresta tropical antiga, o que corresponde aproximadamente ao tamanho da Bélgica.

Em um estudo de 2023, cientistas previram que 75% das espécies de plantas não descritas estavam ameaçadas de extinção. Com base nas designações atuais, T. princeps atenderia aos critérios para ser listado como em situação “vulnerável”. Não é o pior cenário, mas deve ser tratado como um sinal de alerta, indicam os especialistas.

Fonte: Um Só Planeta

Talvez te interesse

Últimas

Terceira ANALOC Rental Show reunirá, de 4 a 6 de junho, em Belo Horizonte (MG), as principais marcas de equipamentos...

Categorias