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O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, escapou nesta quarta-feira (17) de sofrer impeachment após os parlamentares, na maioria governistas, arquivarem uma denúncia contra o mandatário pela má gestão no combate à pandemia de coronavírus.
A acusação fez o partido governista apressar uma sessão extraordinária para avaliar o caso, apenas uma hora depois de o documento chegar à Câmara dos Deputados, segundo a agência Reuters. Com 42 votos contrários à abertura do inquérito e 36 a favor, a denúncia foi arquivada — eram necessários 53 votos favoráveis para o processo seguir adiante.
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Após conseguir manter os números sob controle em meados do ano passado, com quarentenas rígidas e incentivo ao distanciamento, o Paraguai não conseguiu continuar com os mesmos parâmetros de prevenção. Assim, os dados de casos e mortes por Covid-19 no país dispararam, deixando o país à beira de um colapso hospitalar.
Além disso, o Paraguai vem demorando para adquirir vacinas. Isso gerou uma revolta popular, com grandes protestos nas ruas de Assunção. Manifestantes pediam o impeachment ou a renúncia de Abdo.
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Em meio à crise, o presidente ainda tentou mostrar alguma ação: demitiu ministros e discursou à população. Mas os protestos continuaram.
Dados da Universidade Johns Hopkins ilustram o momento crítico da pandemia no Paraguai: a média móvel de casos estava na terça-feira em 1,6 mil novos registros por dia. Em mortes, são 28 novos óbitos diários. Números altos para um território de 7 milhões de habitantes. Ao todo, mais de 3,5 mil pessoas morreram por Covid-19 no país.
Acordo entre governistas, pressão de opositores
Para escapar do impeachment, Abdo recebeu apoio da ala apoiada por Horacio Cartes do Partido Colorado. O ex-presidente é um rival interno do atual governante paraguaio, mas os dois lados concordaram em apressar o arquivamento do processo.
Os deputados que contestaram o julgamento defenderam a necessidade de estabilizar politicamente o país para avançar na compra de vacinas e medicamentos que ajudem a conter a crise. Porém, a oposição diz que a insatisfação contra Abdo ainda é crescente.
“Nem sempre ter maioria é ter razão… eles podem ter vencido o julgamento político, mas perderam o julgamento do povo”, disse o deputado da oposição Edgar Acosta durante a sessão plenária.
Durante a sessão, protestos eclodiram nos arredores do parlamento, segundo o jornal “ABC Color”. Houve confrontos entre forças de segurança e manifestantes, que fizeram barricadas nas ruas da capital paraguaia.
A crise no Paraguai levou inclusive a ONU a pedir uma saída pacífica para a crise.
Fonte: Yahoo!