Criança muda de gênero depois de tentar cortar o próprio pênis

Uma criança transexual de seis anos conseguiu o direito de frequentar uma escola de Melbourne, na Austrália, como menina depois de que seu transtorno de identidade de gênero foi diagnosticado, em setembro do ano passado. Briella Carmichael nasceu menino, mas nunca se identificou como tal. Antes do diagnóstico, a menina chegou ao extremo de tentar cortar o próprio pênis e não bebia água na escola para não precisar ir ao banheiro masculino. As informações são da edição australiana do Daily Mail.

Briella nasceu Baylin, mas sempre se identificou como uma menina. Segundo os pais dela, Scotty e Kirra, todos os impulsos da criança sempre foram femininos. Antes mesmo de andar e se comunicar plenamente, a garotinha já gostava de brinquedos de menina e de vestidos.

Briella (à direita) antes da transiçãoBriella (à direita) antes da transição (Foto: Reprodução/Facebook)
Briella (à direita) com os irmãos (Foto: Facebook/Reprodução)

— Uma vez ela perguntou se iria se parecer com o pai quando crescesse e se teria barba. Ela chorou histericamente quando eu respondi que sim. Então ela perguntou: “Por que eu não nasci uma menina? Por que meu pênis não some” — contou a mãe. — Eu não acreditava no que estava ouvindo. Eu não tinha as respostas, mas percebi que aquilo não era normal e que eu precisava conseguir ajuda. As pessoas comentavam que Baylin seria gay, mas eu não tinha ideia de que seria trans — lembra Kirra, que também é mãe de Shaylah, de dois anos, e de Brock, de oito.

A gota d’água foi quando começaram os episódios de automutilação.

— Ela começou a machucar suas partes íntimas. Isso durou algum tempo, nem sei bem quanto. Ela tentou arrancar (o pênis) fora. Ele ficou inchado e infeccionou.

Foi também nesse período que se constatou o quanto Briella estava desidratada, pois não bebia mais água na escola para evitar ter que fazer xixi no banheiro masculino.

A partir de então, os pais de Briella começaram a frequentar grupos de apoio a transexuais e decidiram consultar um especialista em identidade de gênero, que a diagnosticou. Depois disso, os parentes da menina começaram a lidar melhor com toda a situação.

— Em casa nós começamos a chamá-la de Briella e a família começou a usar pronomes femininos. Ela nos pediu isso — conta Kirra. — Aos poucos, começamos a comprar coisas de menina para ela. Isso a fez tão feliz.

Briela e com o irmão, BrockBriela com o irmão, Brock (Foto: Reprodução/Facebook)

Se em casa todos já lidavam com gênero de Briella com naturalidade, a preocupação se voltou para a vida escolar e social da filha. Os pais e funcionários da Escola Primária Cranbourne se uniram no processo e tiveram a ajuda de um programa australiano chamado Escolas Seguras, que auxilia na orientação de alunos sobre diversidade sexual. A iniciativa tem sido um sucesso.

— Antes ela não tinha um amigo, porque Baylin era tímido, retraído e triste. Agora ela é Briella e é convidada para ir aos lugares, está no grupo das meninas e tem os melhores amigos — diz a mãe.

Briella (à esquerda) com os irmão e o paiBriella (à esquerda) com os irmão e o pai (Foto: Reprodução/Facebook)

Kirra Carmichael disse que o próximo passo será mudar legalmente o nome da filha para Briella, mas admitiu que seria um passo difícil. Sobre terapia hormonal, Kirra explica que não falará sobre essa opção com a filha até que ela seja mais velha

— É uma coisa complicada, mas eu sei que ela não vai voltar a ser menino — disse.

Família antes da transição de BriellaFamília antes da transição de Briella (Foto: Reprodução/Facebook)

Fonte: Extra

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