Consultor em acidentes aéreos de Botucatu, descarta queda de avião da Chapecoense por falta de combustível

Um dos mais conhecidos consultores em acidentes aéreos do país, o ex-piloto de Botucatu Carlos Camacho, que também é diretor do sindicato dos aeronautas, comentou sobre as possíveis causas da queda do avião que deixou mais de 70 mortos, segundo as autoridades colombianas. Seis pessoas sobreviveram ao acidente na madrugada desta terça-feira (29). Ele descartou a falta de combustível e falou em “desorientação espacial”.

O avião da LaMia, matrícula CP2933, decolou de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com 81 pessoas a bordo: 72 passageiros e 9 tripulantes, e transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia.

Carlos acredita que o piloto não teve tempo de tomar qualquer atitude para salvar a tripulação quando percebeu que o avião iria colidir. “Pelo que a gente já coletou de dados, está tudo muito próximo de que tenha sido realmente um voo em direção ao terreno não controlado, ou seja, com perda de consciência situacional do piloto, de desorientação espacial e que em um dado momento quando ele viu já estava praticamente colidindo, não dava mais tempo de tomar mais nenhum tipo de atitude, exceto aguardar a colisão e restou no que restou: um acidente em que o avião subdividiu em três partes.”

O consultor descarta a possibilidade que o avião tenha caído por estar sem combustível. “Eles não teriam autorizado o plano de voo desse avião se ele não cumprisse os requisitos legais de autonomia do avião, que seria combustível para ir até o destino, mais combustível para chegar à alternativa e mais 30 minutos de voo, no mínimo”, explica Camacho.

Consultor fala sobre acidente (Foto: Reprodução/TV TEM)
Consultor fala sobre acidente (Foto: Reprodução/TV TEM)

Segundo o consultor, uma aeronave com 17 anos de fabricação, como a que caiu, mesmo que tenha feito todas as suas manutenções e acompanhamento de engenharia de manutenção não tem os mesmos efeitos e atende às mesmas demandas de uma aeronave nova. “As aeronaves mais modernas, de 15 anos pra cá, trazem um dispositivo a bordo que indicam a proximidade do solo. É um dispositivo de voz que vai dizendo para o piloto sobre a proximidade do terreno. Se essa aeronave tem esse dispositivo poderia ter evitado o acidente, mas também se essa aeronave tem e eles estavam tão próximos do solo que já não tinham mais como evitar a colisão, de nada adiantava o dispositivo.”

Site Flight Radar 24h mostra o acompanhamento do voo do Chapecoense que caiu na Colômbia; pilotos deram duas voltas em círculo no ar antes da queda (Foto: Reprodução)Site Flight Radar 24h mostra o acompanhamento do voo do Chapecoense que caiu na Colômbia; pilotos deram duas voltas em círculo no ar antes da queda (Foto: Reprodução)

A imprensa colombiana chegou a cogitar como causa a falta de combustível, mas também informou que o piloto despejou combustível após perceber que o avião iria cair, mas Camacho descartou a hipótese. “Se tivesse uma situação que levasse o piloto a queimar combustível, ele teria que sobrevoar um bom tempo, baixando o trem de pouso, aumentar o consumo e a partir de então iria para o pouso. Mas antes teria informado o controle de tráfego, que ele estava em uma situação de emergência, teria informado que ia consumir mais combustível para diminuir ao máximo possível o combustível a bordo. Como esse tipo de informação não houve, essa hipótese esta descartada.”

Arte local do acidente com avião que transportava a equipe da Chapecoense. (Foto: Editoria de Arte/G1)Arte local do acidente com avião que transportava a equipe da Chapecoense. (Foto: Editoria de Arte/G1)

Acidente
O voo que transportava a equipe da Chapecoense partiu na noite de segunda-feira (28) de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em direção a Medellín. Segundo a imprensa local, a aeronave  perdeu contato com a torre de controle às 22h15 (local, 1h15 de Brasília), entre as cidades de La Ceja e Abejorral, e caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín.

O Comitê de Operação de Emergência (COE) e a gerência do aeroporto informaram que a aeronave se declarou em emergência por falha técnica às 22h (local) entre as cidades de Ceja e La Unión.

Destroços do avião que levava a Chapecoense são vistos perto de Medellín, na Colômbia (Foto: Luis Benavides/AP)

O diretor da Aeronáutica Civil, Alfredo Bocanegra, explicou à Rádio Nacional da Colômbia que, embora chovesse e houvesse neblina na região, o aeroporto Rionegro estava operando normalmente. Segundo ele, aparentemente foram falhas elétricas que causaram o acidente. O piloto relatou problemas à torre de controle do aeroporto de Santa Cruz, na Bolívia.

Uma operação de emergência foi ativada para atender ao acidente. A Força Aérea Colombiana dispôs helicópteros para ajudar em trabalhos de resgate, mas missões de voos foram abortadas nesta madrugada por causa das condições climáticas. Choveu muito na região na noite de segunda, o que reduziu a visibilidade.

Equipes chegaram ao local do acidente por terra, mas o acesso à região montanhosa é difícil e a remoção é lenta.

Vítimas
Segundo comunicado da Aeronáutica Civil Colombiana, os seis sobreviventes são os jogadores Alan Ruschel, Neto e Follmann, o jornalista Rafael Henzel, o técnico da aeronave Erwin Tumiri e a comissária de bordo Ximena Suarez.

O goleiro Danilo também tinha sido resgatado com vida, mas morreu no hospital.
O ex-jogador Mario Sergio, comentarista do canal FoxSports, está entre as vítimas, segundo o Bom Dia Brasil.

VEJA A LISTA DE PASSAGEIROS E TRIPULANTES DO AVIÃO

Os jogadores da equipe de Santa Catarina são:

– Goleiros: Danilo e Follmann;
– Laterais: Gimenez, Dener, Alan Ruschel e Caramelo;
– Zagueiros: Marcelo, Filipe Machado, Thiego e Neto;
– Volantes: Josimar, Gil, Sérgio Manoel e Matheus Biteco;
– Meias: Cleber Santana e Arthur Maia;
– Atacantes: Kempes, Ananias, Lucas Gomes, Tiaguinho, Bruno Rangel e Canela.

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