02 de janeiro, 2026

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Conheça o ‘sand cat’, um dos menores felinos selvagens da natureza

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O Deserto do Kuwait, no continente asiático, ganhou destaque após o registro encantador de um gato-do-deserto (Felis margarita), conhecido em inglês como sand cat. Trata-se do único felino totalmente adaptado a ambientes desérticos. O flagrante foi feito pelo fotógrafo Talal Al Rabah, que se dedica à documentação da vida selvagem.

“Foi um momento lindo, pois é um animal que geralmente permanece escondido. Ele se aproximou e me concedeu alguns instantes para registrar as imagens”, relata o fotógrafo.

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Segundo o biólogo Felipe Bortolotto Peters, trata-se de uma espécie antiga, com evidências que remontam a aproximadamente 2 milhões de anos.

Acredita-se que o gato-do-deserto tenha se originado na Ásia e migrado para a África durante o Pleistoceno, período marcado por intensas mudanças climáticas que favoreceram o deslocamento de animais entre continentes.

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O especialista explica que parte desse comportamento de se esconder está ligado às condições extremas do ambiente.

“Para enfrentar o verão, quando o calor é intenso durante o dia, os sand cats adotam hábitos noturnos e utilizam tocas subterrâneas, próprias ou abandonadas por outros animais, como refúgio térmico. Já no inverno, para suportar o frio das noites, recorrem a estratégias semelhantes de abrigo, ajustando seu padrão de atividade conforme as variações de temperatura”, afirma.

Adaptações que garantem a sobrevivência

Os sand cats apresentam adaptações específicas que permitem a sobrevivência em regiões quentes e áridas. Entre elas, uma das principais é a camada de pelos espessos que cresce entre os dedos e recobre as solas das patas, formando uma barreira que protege as almofadas do contato direto com o solo escaldante e facilita a locomoção sobre a areia.

Além da proteção contra queimaduras, essa pelagem reduz o afundamento do animal e torna seus rastros pouco visíveis.

O sand cat (Felis margarita) é o único felino adaptado a ambientes desérticos (Foto: Talal Al Rabah)

“Esses fatores dificultam o rastreamento por predadores e pesquisadores, especialmente em razão do hábito escavador da espécie e da escassez de superfícies que favoreçam o desgaste natural das patas”, detalha Felipe.

Estratégias de caça e hábitos alimentares

O gato-do-deserto possui a estrutura auditiva composta por orelhas laterais e bulas timpânicas ampliadas, que permitem captar sons de baixa frequência e detectar presas no subsolo, muitas vezes escavando tocas para capturá-las e, quando necessário, armazenando o alimento para consumo posterior. Essa característica também permite identificar a aproximação de predadores.

São carnívoros e alimentam-se de pequenos roedores, répteis, incluindo serpentes venenosas, aves, insetos e aracnídeos. Esses felinos conseguem suprir grande parte de suas necessidades hídricas por meio dos fluidos das presas, embora bebam água sempre que disponível.

Reprodução

A reprodução dessa espécie é influenciada pela disponibilidade de recursos e varia conforme a região. Com vários ciclos reprodutivos anuais, esses períodos são marcados por vocalizações intensas, quando as fêmeas indicam que estão no período fértil, e por marcação química, em que liberam odores para avisar que estão prontas para se reproduzir.

A gestação do gato-do-deserto dura cerca de dois meses e resulta em ninhadas de dois a quatro filhotes (Foto: Talal Al Rabah)

A gestação dura cerca de dois meses e resulta em ninhadas de dois a quatro filhotes. Os jovens nascem cegos e dependentes, mas crescem rapidamente e tornam-se independentes após alguns meses. O cuidado parental é exercido pela fêmea, e a maturidade sexual é alcançada ainda no primeiro ano de vida.

Riscos fora do habitat natural

sand cat não é uma espécie domesticada. Apesar de sua proximidade evolutiva com o gato doméstico, é um felino próprio de regiões desérticas.

A manutenção fora do habitat natural coloca esses indivíduos em risco, devido à alta sensibilidade a doenças respiratórias e parasitárias, exigindo controle rigoroso de temperatura, especialmente de baixa umidade.

“Possuem necessidades nutricionais específicas, como dietas à base de carne crua, e apresentam comportamentos típicos de animais silvestres, como atividade noturna, escavação constante e marcação territorial com urina, incompatíveis com ambientes domésticos”, completa o biólogo.

Fonte: G1

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